Ela balançou a cabeça, desesperada.
— Eu não vou me casar com um estranho!
— Ele não é um estranho — disse Sérgio. — É alguém que pode resolver os nossos problemas.
— Seus problemas! — ela corrigiu, com força.
— A partir do momento em que você faz parte dessa família… — ele rebateu — passam a ser seus também.
Sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto, Raquel praguejou.
— Isso não é família…
Completamente abalada, Soraya tentou se aproximar da filha.
— Filha, calma…
— O que vocês acham que estão fazendo comigo? — questionou, indignada, se afastando da mãe no mesmo instante. — Por acaso tenho cara da Sara para aceitar uma coisa dessas?
Caminhando de um lado para o outro no quarto, Sérgio fez um gesto impaciente.
— Nem me fala dela.
A forma como disse… não era de arrependimento.
— Se eu soubesse que as coisas iam chegar nesse ponto… — continuou, passando a mão pelos cabelos — não teria mandado aquela garota embora.
Soraya arregalou os olhos.
— A Sara estava bem — ele seguiu, como se falasse mais consigo mesmo do que com elas. — Bonita… bem cuidada… tinha tudo para arrumar um homem rico também.
Aquelas palavras caíram como veneno no ar.
— Pena que tomei aquela decisão por impulso e nem sei onde ela está agora — completou, com um suspiro de frustração.
— Meu Deus… — Soraya murmurou, levando a mão à boca. — Que tipo de pai você é?
Sérgio parou e virou-se lentamente para encará-la.
— O tipo que não vai deixar o sobrenome cair na miséria.
— À custa da própria filha? — ela rebateu, chocada. — À custa da dignidade dela?
Ele sustentou o olhar.
— Dignidade não paga dívida.
— Eu não acredito que estou ouvindo isso… — Raquel disse com a voz trêmula. — O senhor não tem o direito de decidir a minha vida.
— Tenho, sim — ele respondeu, sem hesitar.
— Não tem! — ela rebateu, firme, mesmo com as lágrimas escorrendo. — E eu não vou deixar isso acontecer.
— Você não tem escolha.
— Tenho, sim.
Ele franziu o cenho.
— E qual seria?
Dando um passo para trás, ela respondeu:
— Fugir daqui.
Ele caiu na gargalhada.
— Fugir? — repetiu, com deboche. — Para onde?
A pergunta atingiu em cheio. Por dentro, Raquel estremeceu, porque, no fundo… ele tinha razão. Não havia muitas opções. No máximo, a casa de alguma amiga… e ainda assim, isso significaria expor tudo. A falência. A situação da família.
E o orgulho dela falava alto demais para permitir aquilo. Mesmo assim, ergueu o queixo e preferiu usar o blefe.
— Tenho vários lugares para ir.
O pai a observou por um segundo e então assentiu, com um meio sorriso.
— Bom saber disso.
Virou-se e caminhou até a porta do quarto.
Antes que qualquer uma das duas pudesse reagir, levou a mão até a fechadura… e retirou a chave.
— Você não vai sair daqui — disse ele, tranquilo demais para a gravidade daquilo. — Pelo menos, não até o seu casamento amanhã.
Soraya arregalou os olhos.
— Sérgio…
Mas ele apenas fez um gesto para que ela o acompanhasse.
— Vamos.
Claramente dividida, Soraya olhou para a filha, com o olhar cheio de dúvida e culpa, mas não disse nada. Apenas seguiu o marido até a porta.
Antes de sair, Sérgio voltou a encarar a filha.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!