Já fazia meses que Sara estava morando no apartamento que Renato havia colocado à sua disposição. No início, tudo parecia estranho demais, mas, com o tempo, ela aprendeu a lidar com aquilo.
Criou uma rotina simples ao lado de Odete, que, a cada dia que passava, se tornava como uma mãe para ela. A presença da mulher trouxe acolhimento e cuidado, algo que nunca conheceu na casa dos pais.
Odete estava sempre por perto, atenta aos mínimos detalhes, preocupada se ela havia comido direito, se estava descansando, se não estava se esforçando além do necessário e, aos poucos, Sara foi se permitindo aceitar aquilo, não como obrigação, mas como afeto.
— Você precisa se cuidar, menina — Odete dizia com frequência, enquanto organizava alguma coisa pela casa. — Agora não é só você.
Sara apenas assentia, levando a mão até a barriga, sentindo aquele pequeno lembrete constante de que sua vida já não era mais a mesma.
Como tinha muito tempo de sobra, decidiu procurar alguns cursos online. Queria estar pronta para trabalhar, recomeçar e se manter sozinha após o nascimento do filho. Sua vontade era dali para a frente não depender de ninguém.
Passava horas na frente do computador, pesquisando opções, anotando informações, assistindo aulas, mesmo quando o cansaço insistia em aparecer.
Às vezes, precisava pausar, respirar fundo, mas não desistia. Era a forma que encontrou de retomar o controle da própria vida, de não se sentir presa e não ser apenas alguém à espera de algo acontecer.
— Você não para um minuto, menina… — comentou Odete certa vez, observando-a concentrada.
Sara deu um leve sorriso, sem tirar os olhos da tela.
— Eu preciso disso.
— Precisa descansar também.
— Eu sei… — respondeu, fazendo uma pequena massagem nas têmporas. — Mas eu também preciso garantir que, quando ele nascer, eu consiga cuidar de tudo.
Odete a olhou por alguns segundos, com um certo orgulho.
— Você vai conseguir, eu sei disso, mas não se esqueça de uma coisa, você não vai criar esse filho sozinha, então não se cobre tanto.
Sabia disso. Sabia que Renato fazia questão de estar presente em tudo que dissesse ter relação com o filho, mesmo assim, não queria ser dependente dele.
— Eu sei, mas tudo o que eu puder fazer para depender menos dele, eu vou fazer.
— Você está mesmo decidida a não dar uma chance para ele, não é mesmo?
— Eu não consigo.
— Sara, ele se mostrou tão mudado depois de tudo o que aconteceu.
— Eu sei, mesmo assim não consigo esquecer o que ele me fez.
— Sei disso, mas às vezes, é preciso liberar o perdão. Ainda mais quando a pessoa mostra que realmente está disposta a mudar.
Todas as vezes que se sentia confusa, Odete sempre surgia com uma palavra de consolo ou com um conselho certeiro. Na maioria das vezes, a escutava e, aos poucos, até aprendia a enxergar as coisas por outro ângulo.
Mas, quando o assunto era Renato, ela travava. Não importava o que Odete dissesse ou o quanto tentasse ser racional. Ainda não conseguia concordar, nem ceder. Porque, naquele ponto, o que sentia falava mais alto do que qualquer conselho.
Renato respeitou o espaço que ela havia pedido. Depois da noite em que se beijaram na cozinha, ela decidiu manter uma distância segura, para não confundir seus sentimentos.
Com alguns dias, sentindo-se mais segura no apartamento, decidiu que ele poderia retornar para a fazenda. Mesmo querendo negar aquele pedido, ele aceitou.
Depois disso, Renato não aparecia sem avisar, nem insistia para ficar. Mas também não desaparecia. Sempre arranjava alguma maneira de estar por perto de alguma forma.
As visitas dele se tornaram frequentes, mas eram rápidas.
Perguntava como ela estava, se precisava de algo, se o bebê estava bem… e, mesmo tentando manter distância, os olhares entre eles diziam mais do que qualquer palavra.
Nada tinha sido resolvido, mas também nada havia acabado. O que mais dificultava tudo era saber que ambos tinham o mesmo sentimento pelo outro, mas a mágoa que Sara sentia a impedia de dar um passo à frente.
Certa manhã, ela estava sentada no sofá, com o celular nas mãos, distraída com as últimas notícias, quando a campainha tocou. Franzindo levemente o cenho, estranhou a visita inesperada…
Não estava esperando ninguém. A única pessoa que frequentava aquele apartamento era Renato e, mesmo assim, ele nunca aparecia pela manhã.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!