Ver Renato falar daquele jeito deixou Sara inquieta. Havia algo no tom dele que ela não conseguia ignorar. Ele estava frio e controlado demais, como se, no fundo, aquela situação lhe trouxesse algum tipo de satisfação.
— Você parece feliz com isso… não é? — decidiu perguntar, sem rodeios.
Surpreso, Renato arqueou levemente a sobrancelha e a encarou com mais seriedade.
— Por que acha isso?
— Porque agora você deve estar se sentindo vingado — respondeu, direta. — Depois de tudo o que aqueles dois fizeram com você, aposto que, por dentro, deve estar comemorando.
O olhar dele endureceu na mesma hora.
— Você está colocando em mim coisas que não existem.
— Ah, Renato… — ela soltou, descrente. — Vai mesmo dizer que não sente nada com isso?
— Se fosse antes, você até teria razão em relação ao que diz — respondeu. — Mas para mim, aqueles dois não têm mais importância alguma. A única coisa que sinto no momento é satisfação em saber que ambos tiveram o que mereceram em relação ao que fizeram com você.
Uma pausa.
— O Alessandro nunca mais chegará perto de você para fazer o mal, e a sua irmã está tendo o mesmo destino que um dia seus pais te obrigaram a fazer por conta dela.
O tom dele era bem convicto.
— Eu não estou feliz com isso, Sara — continuou, mais sério. — Mas também não vou fingir que é uma simples coincidência o que aconteceu com os dois.
Ela ficou em silêncio e desviou o olhar, consciente de que, se o encarasse por muito tempo, corria o risco de sentir tudo aquilo que vinha tentando evitar por meses.
Respirou fundo antes de falar.
— Por um lado… — começou — também não vou negar que fico aliviada em saber que o Alessandro não vai mais tentar nada contra você — confessou.
Renato a observou com atenção.
— Aliviada… ou satisfeita?
Ela hesitou por um instante, mas não retrocedeu.
— Um pouco dos dois.
O olhar dele suavizou, quase imperceptível.
— Então você ainda se preocupa comigo.
A frase veio direta e, no mesmo segundo, Sara sentiu o coração acelerar.
— Eu me preocupo com o pai do meu filho — respondeu, rápida, tentando manter a distância.
Inclinando levemente a cabeça, Renato insistiu.
— Só isso?
Ela desviou o olhar novamente.
— É o suficiente.
O silêncio que se formou entre os dois foi automático, porque nenhum deles acreditava totalmente naquilo.
— É uma pena ver você reprimindo o que sente — ele soltou, sem tirar os olhos dela. — Quando eu só precisava de uma segunda chance para te provar que você nunca se arrependeria de me perdoar.
Ela engoliu em seco, sentindo aquela frase quase a desarmar.
— Não é sobre precisar, Renato… — respondeu, mais baixa. — É sobre conseguir.
Por mais que quisesse soar firme, sentiu que a voz começava a estremecer.
— Deixe-me ao menos tentar.
Ela balançou a cabeça, negando.
— É melhor pararmos com essa conversa — declarou, percebendo que aquilo poderia ser perigoso. — Se veio apenas para falar sobre o que aconteceu com a Raquel e o Alessandro, acredito que já tenha terminado.
O som de sua voz soou como um limite.
Ao notar o muro sendo erguido outra vez entre eles, Renato apenas assentiu.
— Sim… eu terminei — respondeu, levantando-se.
Houve uma breve pausa.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!