Ao perceber que ela começava a ceder, que as barreiras entre os dois estavam se enfraquecendo, Renato não deixou aquele momento escapar.
Com cuidado, aproximou ainda mais o rosto do dela, até que restassem apenas milímetros entre os dois.
— Ah, Sara… como eu queria ouvir isso — disse, com a voz rouca, e então quebrou a distância.
Seus lábios se tocaram.
O beijo começou lento, quase hesitante, como se ele ainda esperasse que ela o afastasse a qualquer instante. Mas ela não afastou, não de imediato. Por um segundo, ou dois, Sara se deixou levar por aquele toque.
A familiaridade, a saudade, o sentimento.
Todavia, o gosto do álcool acendeu um alerta imediato, como um choque de realidade. Ela se afastou de repente, empurrando as mãos no peito dele.
— Espera… — disse, tentando controlar a respiração.
Renato a encarou, ainda próximo, confuso.
— Sara…
— Você está entendendo errado — continuou, sentindo a voz levemente trêmula. — Eu não quero que você vá embora…
Respirou fundo.
— Não desse jeito.
O olhar dele mudou.
— O que quer dizer com isso?
— Você está bêbado — respondeu, segura, apesar da confusão interna. — E está chovendo muito lá fora. Te deixar sair dirigindo assim é praticamente colocar a sua vida em risco.
O desgosto ao ouvir aquela desculpa ficou evidente no rosto dele, que engoliu em seco e virou o rosto por um instante, tentando disfarçar. Não era cansaço dela, era frustração. Cada vez que Sara se colocava na defensiva, ele se perdia, sem saber até onde podia ir ou o que ainda era permitido entre eles. Era claro demais que ela o queria, ele via nos olhos, sentia na forma como reagia quando estavam próximos… mas, no momento seguinte, ela sempre encontrava uma forma de se afastar, como se lutasse contra si mesma.
— Então… — ele começou, tentando entender — você só quer que eu fique por isso?
Sara hesitou por um segundo, porque a resposta não era tão simples quanto parecia.
— Eu quero que você fique, até estar bem para ir — disse, por fim.
A frase foi em tom cuidadoso, mas não convenceu Renato nem um pouco.
— Que merda é essa, Sara? — soltou, impaciente. — Você sempre faz isso… sempre.
Ele se levantou de uma vez, já parecendo sóbrio até demais.
— Já parou para pensar nos meus sentimentos alguma vez? — questionou, visivelmente irritado. — Eu estou tentando a todo custo e você não facilita nem por um segundo.
Passou a mão pelos cabelos, frustrado.
— Você me puxa e depois me empurra. Me olha de um jeito e, quando chego perto, inventa uma desculpa para me afastar.
A respiração dele estava pesada.
— Você acha que isso não mexe comigo?
Deu um passo na direção dela.
— Porque mexe, Sara. Muito mais do que você imagina.
O olhar dele a prendeu.
— Eu não sei mais como agir com você. Juro que não sei.
Houve uma pausa antes de ele perguntar:
— O que você quer de mim, afinal?
Aquele desabafo a pegou completamente desprevenida, a ponto de não conseguir reagir. As palavras ficaram ecoando na sua mente, fortes e diretas. Não sabia o que dizer, ainda mais quando Renato estava sendo tão sincero, tão exposto daquele jeito, sem nenhuma barreira.
— Eu… eu não sei — respondeu, confusa, passando a mão pelo rosto.
Balançando a cabeça, Renato riu, sem humor.
— Viu? Nem você sabe o que quer.
— Não é isso.



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