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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 215

Ao perceber que ela começava a ceder, que as barreiras entre os dois estavam se enfraquecendo, Renato não deixou aquele momento escapar.

Com cuidado, aproximou ainda mais o rosto do dela, até que restassem apenas milímetros entre os dois.

— Ah, Sara… como eu queria ouvir isso — disse, com a voz rouca, e então quebrou a distância.

Seus lábios se tocaram.

O beijo começou lento, quase hesitante, como se ele ainda esperasse que ela o afastasse a qualquer instante. Mas ela não afastou, não de imediato. Por um segundo, ou dois, Sara se deixou levar por aquele toque.

A familiaridade, a saudade, o sentimento.

Todavia, o gosto do álcool acendeu um alerta imediato, como um choque de realidade. Ela se afastou de repente, empurrando as mãos no peito dele.

— Espera… — disse, tentando controlar a respiração.

Renato a encarou, ainda próximo, confuso.

— Sara…

— Você está entendendo errado — continuou, sentindo a voz levemente trêmula. — Eu não quero que você vá embora…

Respirou fundo.

— Não desse jeito.

O olhar dele mudou.

— O que quer dizer com isso?

— Você está bêbado — respondeu, segura, apesar da confusão interna. — E está chovendo muito lá fora. Te deixar sair dirigindo assim é praticamente colocar a sua vida em risco.

O desgosto ao ouvir aquela desculpa ficou evidente no rosto dele, que engoliu em seco e virou o rosto por um instante, tentando disfarçar. Não era cansaço dela, era frustração. Cada vez que Sara se colocava na defensiva, ele se perdia, sem saber até onde podia ir ou o que ainda era permitido entre eles. Era claro demais que ela o queria, ele via nos olhos, sentia na forma como reagia quando estavam próximos… mas, no momento seguinte, ela sempre encontrava uma forma de se afastar, como se lutasse contra si mesma.

— Então… — ele começou, tentando entender — você só quer que eu fique por isso?

Sara hesitou por um segundo, porque a resposta não era tão simples quanto parecia.

— Eu quero que você fique, até estar bem para ir — disse, por fim.

A frase foi em tom cuidadoso, mas não convenceu Renato nem um pouco.

— Que merda é essa, Sara? — soltou, impaciente. — Você sempre faz isso… sempre.

Ele se levantou de uma vez, já parecendo sóbrio até demais.

— Já parou para pensar nos meus sentimentos alguma vez? — questionou, visivelmente irritado. — Eu estou tentando a todo custo e você não facilita nem por um segundo.

Passou a mão pelos cabelos, frustrado.

— Você me puxa e depois me empurra. Me olha de um jeito e, quando chego perto, inventa uma desculpa para me afastar.

A respiração dele estava pesada.

— Você acha que isso não mexe comigo?

Deu um passo na direção dela.

— Porque mexe, Sara. Muito mais do que você imagina.

O olhar dele a prendeu.

— Eu não sei mais como agir com você. Juro que não sei.

Houve uma pausa antes de ele perguntar:

— O que você quer de mim, afinal?

Aquele desabafo a pegou completamente desprevenida, a ponto de não conseguir reagir. As palavras ficaram ecoando na sua mente, fortes e diretas. Não sabia o que dizer, ainda mais quando Renato estava sendo tão sincero, tão exposto daquele jeito, sem nenhuma barreira.

— Eu… eu não sei — respondeu, confusa, passando a mão pelo rosto.

Balançando a cabeça, Renato riu, sem humor.

— Viu? Nem você sabe o que quer.

— Não é isso.

215: Não aguento mais 1

215: Não aguento mais 2

215: Não aguento mais 3

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