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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 217

Daquele momento em diante, Sara não conseguiu mais fechar os olhos. A mensagem, junto com a imagem daquela mulher, se repetia na sua mente como um eco incômodo, insistente. Olhou para o celular que havia deixado novamente na cabeceira, depois para o rosto de Renato, que dormia tranquilamente.

— Então foi por isso… — sussurrou, quase inaudível. — Foi por isso que você me trouxe mais cedo para casa…

Os olhos começaram a arder.

— Você estava com ela?

A ideia se formou com força, invadindo tudo. Pensar que ele a deixou ali, para ir jantar e beber com outra mulher, fez um gosto amargo subir pela garganta.

A lembrança dele no apartamento, digitando algo no celular, quando veio buscá-la para a consulta, voltou com clareza. Também se recordou dele no carro, distante, mexendo no celular, concentrado demais na tela e, agora, tudo começava a fazer sentido.

Ou parecia fazer.

— Era com ela… — murmurou, sentindo o peito apertar — era com ela que você estava falando o tempo todo.

Virando-se na cama, afastou-se dele, como se a proximidade, que antes trazia conforto, agora incomodasse e trazesse dor.

Sem conseguir conter, as lágrimas começaram a escorrer, molhando o travesseiro e, mesmo sabendo que podia estar tirando conclusões precipitadas, não conseguiu parar.

A mente já corria, imaginando e criando cenas.

Talvez fosse insegurança, medo, ou talvez fosse só o reflexo de tudo o que já tinha vivido com ele. Porque, no fundo, uma parte dela ainda lembrava do homem que a machucou.

Tentando conter o choro, Sara apertou os olhos com força, mas não conseguiu. Naquele instante, a segunda chance que havia decidido dar já parecia estar escapando por entre seus dedos.

[…]

Quando acordou pela manhã, Renato abriu os olhos ainda confuso, tentando entender onde estava. Levou alguns segundos para reconhecer o quarto, mapeando cada detalhe ao redor, até que a memória veio de uma vez: o apartamento de Sara.

Virou-se rapidamente para o lado da cama, notando o espaço ao lado vazio e frio. Ela não estava mais ali. Aquilo o fez despertar de vez.

Passando a mão pelo rosto, sentou-se na cama, tentando organizar as lembranças da noite anterior. Lembrava de ter ido até lá, de ter falado mais do que devia e do momento em que ela não o afastou e se deitou ao seu lado.

Olhou ao redor, como se esperasse vê-la surgir a qualquer momento, mas o quarto continuava em silêncio.

Levantando-se devagar, sentiu um leve incômodo na cabeça. Naquele momento, concluiu que não devia ter bebido à noite, mas o jantar e as companhias o obrigaram a fazer aquilo.

Ignorando a dor, saiu do quarto e seguiu até a sala. Foi quando se deparou com Odete, que arrumava o sofá.

— Senhor Renato? — disse ela, surpresa ao vê-lo ali. — Não sabia que estava aqui.

— Cheguei um pouco tarde da noite — respondeu ele. — Como estava chovendo muito, a Sara deixou que eu passasse a noite.

— Compreendo — disse Odete, abrindo um leve sorriso. — Nesse caso, vou preparar o café da manhã.

Ela já ia se afastando, mas Renato a chamou:

— Você viu a Sara hoje?

Odete franziu levemente o cenho.

— Não… geralmente ela dorme um pouco mais.

— Então, ela está no quarto dela? — perguntou, já estranhando.

— Sim… onde mais estaria? — respondeu a mulher, com um leve riso.

Mas o sorriso morreu no mesmo instante, porque Renato não riu, pelo contrário, seu semblante estava sério demais.

— Aconteceu alguma coisa? — Odete perguntou, agora mais atenta.

Ele hesitou por um segundo.

— Eu acordei e ela não estava ao meu lado.

Aquilo fez a expressão da mulher mudar.

— Não estava ao seu lado? — indagou, confusa.

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