Daquele momento em diante, Sara não conseguiu mais fechar os olhos. A mensagem, junto com a imagem daquela mulher, se repetia na sua mente como um eco incômodo, insistente. Olhou para o celular que havia deixado novamente na cabeceira, depois para o rosto de Renato, que dormia tranquilamente.
— Então foi por isso… — sussurrou, quase inaudível. — Foi por isso que você me trouxe mais cedo para casa…
Os olhos começaram a arder.
— Você estava com ela?
A ideia se formou com força, invadindo tudo. Pensar que ele a deixou ali, para ir jantar e beber com outra mulher, fez um gosto amargo subir pela garganta.
A lembrança dele no apartamento, digitando algo no celular, quando veio buscá-la para a consulta, voltou com clareza. Também se recordou dele no carro, distante, mexendo no celular, concentrado demais na tela e, agora, tudo começava a fazer sentido.
Ou parecia fazer.
— Era com ela… — murmurou, sentindo o peito apertar — era com ela que você estava falando o tempo todo.
Virando-se na cama, afastou-se dele, como se a proximidade, que antes trazia conforto, agora incomodasse e trazesse dor.
Sem conseguir conter, as lágrimas começaram a escorrer, molhando o travesseiro e, mesmo sabendo que podia estar tirando conclusões precipitadas, não conseguiu parar.
A mente já corria, imaginando e criando cenas.
Talvez fosse insegurança, medo, ou talvez fosse só o reflexo de tudo o que já tinha vivido com ele. Porque, no fundo, uma parte dela ainda lembrava do homem que a machucou.
Tentando conter o choro, Sara apertou os olhos com força, mas não conseguiu. Naquele instante, a segunda chance que havia decidido dar já parecia estar escapando por entre seus dedos.
[…]
Quando acordou pela manhã, Renato abriu os olhos ainda confuso, tentando entender onde estava. Levou alguns segundos para reconhecer o quarto, mapeando cada detalhe ao redor, até que a memória veio de uma vez: o apartamento de Sara.
Virou-se rapidamente para o lado da cama, notando o espaço ao lado vazio e frio. Ela não estava mais ali. Aquilo o fez despertar de vez.
Passando a mão pelo rosto, sentou-se na cama, tentando organizar as lembranças da noite anterior. Lembrava de ter ido até lá, de ter falado mais do que devia e do momento em que ela não o afastou e se deitou ao seu lado.
Olhou ao redor, como se esperasse vê-la surgir a qualquer momento, mas o quarto continuava em silêncio.
Levantando-se devagar, sentiu um leve incômodo na cabeça. Naquele momento, concluiu que não devia ter bebido à noite, mas o jantar e as companhias o obrigaram a fazer aquilo.
Ignorando a dor, saiu do quarto e seguiu até a sala. Foi quando se deparou com Odete, que arrumava o sofá.
— Senhor Renato? — disse ela, surpresa ao vê-lo ali. — Não sabia que estava aqui.
— Cheguei um pouco tarde da noite — respondeu ele. — Como estava chovendo muito, a Sara deixou que eu passasse a noite.
— Compreendo — disse Odete, abrindo um leve sorriso. — Nesse caso, vou preparar o café da manhã.
Ela já ia se afastando, mas Renato a chamou:
— Você viu a Sara hoje?
Odete franziu levemente o cenho.
— Não… geralmente ela dorme um pouco mais.
— Então, ela está no quarto dela? — perguntou, já estranhando.
— Sim… onde mais estaria? — respondeu a mulher, com um leve riso.
Mas o sorriso morreu no mesmo instante, porque Renato não riu, pelo contrário, seu semblante estava sério demais.
— Aconteceu alguma coisa? — Odete perguntou, agora mais atenta.
Ele hesitou por um segundo.
— Eu acordei e ela não estava ao meu lado.
Aquilo fez a expressão da mulher mudar.
— Não estava ao seu lado? — indagou, confusa.

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