Quando viu Renato ali, Odete se aproximou com um olhar de alívio.
— Renato, que bom que chegou. A Sara está prestes a ter o bebê.
— Como ela está? — Perguntou, sem tirar os olhos de Sara.
— Tudo está sob controle. — Odete se aproximou mais e baixou a voz. — Mas ela está muito chateada com você. Então, seja lá o que estiver acontecendo, é melhor resolver assim que tudo se acalmar.
— Farei isso, Odete. Pode ter certeza.
Após falar com Odete, se aproximou de Sara com o olhar apreensivo. Ela o viu chegar, mas não disse nada. Ficou ali, respirando fundo entre uma contração e outra, tentando se manter inteira.
— Estou aqui, Sara. Para qualquer coisa.
Ao ouvir aquilo, ela começou a chorar. Havia muita coisa que queria dizer naquele momento, muita coisa represada dentro do peito, mas a dor não a deixava se expressar. As palavras ficaram presas.
— Vamos, Sara. — O médico interveio com calma. — Faça força agora.
Ela obedeceu.
Mais que depressa, Renato segurou a mão dela. Mesmo com todos os sentimentos à flor da pele, Sara não resistiu. Segurou de volta e apertou com mais força do que ele esperava.
— Ai! — Gritou, fazendo força com tudo que tinha.
— Isso. Você está indo bem. — O médico a encorajou sem tirar a atenção do que estava fazendo. — Mais uma vez.
Renato se inclinou levemente para perto dela.
— Eu estou aqui. — Repetiu, dessa vez mais baixo, quase no ouvido dela. — Não vou a lugar nenhum.
Sara fechou os olhos com força. Outra contração veio, mais intensa do que as anteriores, e ela gritou de novo, apertando os dedos de Renato até ficarem brancos. Ele não recuou. Ficou ali, deixando-a apertar o quanto precisasse.
— Respira. — Disse ele. — Devagar. Isso.
Ela tentou. Soltou o ar em pequenos jatos, sua testa estava coberta de suor e o rosto vermelho do esforço. Odete estava do outro lado, molhando um paninho e passando na testa dela com cuidado.
— Mais uma vez, Sara. — O médico pediu. — Está quase lá.
— Não consigo mais. — Ela falou entre os dentes, com a voz falhando.
— Consegue sim. — Renato apertou a mão dela de volta. — Você é a mulher mais forte que conheço.
Ela o encarou por uma fração de segundo. Havia tanta coisa naquele olhar — raiva, medo, amor, mágoa — tudo misturado de um jeito que ele não soube separar. Mas não desviou o olhar. Ficou ali, encarando de volta, deixando-a encontrar o que precisasse encontrar nele.
E então ela fez força de novo.
Um grito ecoou no quarto. As enfermeiras se movimentaram. O médico falou alguma coisa que Renato não conseguiu processar direito porque, no segundo seguinte, um choro fino e agudo cortou o silêncio.
O choro do Léo.
Renato sentiu as pernas bambearem no mesmo instante.
— Que meninão! — O médico anunciou, com um sorriso no rosto.
Sara desabou contra o travesseiro, exausta, ainda soluçando. Renato ficou parado por um instante, sem conseguir se mover, com os olhos marejados e a mão ainda entrelaçada na dela.
— Ele é muito lindo, se parece com você. — Foi tudo que ele conseguiu dizer.
Ela não respondeu, mas também não soltou a mão dele.
Quando a enfermeira trouxe o bebê embrulhado e o colocou no colo de Sara, o clima no quarto mudou. O ar ficou mais leve, mais quieto e em paz.
Ao olhar para o filho, Sara sentiu as lágrimas voltarem. Diferentes dessa vez. Não de dor, nem de mágoa. Era de algo que não cabia em nenhuma palavra.
— Oi, meu amor. — Sussurrou, com a voz trêmula. — Eu te esperei tanto.


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