Notando que a esposa parecia um pouco nervosa, Renato se levantou quase no mesmo instante e se aproximou, tocando de leve a mão dela, como se aquele simples gesto fosse suficiente para trazê-la de volta ao presente.
— Sara… o que foi?
Ela desviou o olhar, como se tivesse receio até de colocar aquilo em palavras.
— Eu não sei — respondeu mais baixo. — Só fiquei um pouco receosa sobre quem pode ver a nossa foto.
Ele franziu levemente a testa, tentando entender.
— Você quer dizer… sobre as pessoas que não gostam de nós dois juntos?
Ela assentiu.
— Sim.
Ele se aproximou mais, abaixando um pouco para ficar na mesma altura que ela, obrigando-a a encará-lo.
— Meu amor, você não precisa ter medo de nada — disse, tentando passar segurança. — Eu estou do seu lado e ninguém vai nos fazer mal.
Sara respirou fundo, mas a inquietação ainda estava ali.
— Mas e se… — começou, hesitando, sem saber ao certo como expressar aquilo. — E se alguém tentar alguma coisa contra o nosso filho?
A expressão dele mudou na mesma hora. Ficou mais séria e intensa. Renato levou a mão até o queixo dela, levantando delicadamente seu rosto.
— Me escuta, ninguém vai chegar perto do nosso filho — afirmou, confiante. — Eu prometo isso para você.
A segurança em sua voz era firme demais, quase absoluta. Ainda assim, havia algo dentro dela que não se acalmava completamente. Mesmo assim, Sara não quis insistir naquele medo. Não queria estragar aquele momento, não depois de tudo o que estavam vivendo.
Ela sorriu de leve, mais para tranquilizá-lo do que por realmente estar em paz, e assentiu.
— Você tem razão — disse, tentando parecer mais confiante. — Acho que é só coisa da minha cabeça.
Ele a observou por mais alguns segundos, como se soubesse que não era só isso, mas preferiu não pressionar. Em vez disso, puxou-a para mais perto, envolvendo-a em seus braços com cuidado.
— Vem cá — murmurou, encostando a testa na dela. — Hoje é o nosso primeiro dia como marido e mulher de verdade, não quero ver você preocupada.
Ela deixou o corpo relaxar aos poucos nos braços dele, permitindo-se sentir aquele momento com mais leveza.
— Então me distraia — respondeu suavemente, tentando afastar de vez aquele pensamento.
Um sorriso malicioso surgiu no rosto dele no mesmo instante.
— Isso eu sei fazer muito bem.
Sem dizer mais nada, ele a pegou no colo e a colocou em cima de sua mesa. A atitude a pegou desprevenida, fazendo com que soltasse um leve gritinho, mais de surpresa do que de qualquer outra coisa. Quando percebeu o que ele tinha feito, levou a mão até o peito, tentando conter o riso.
— Renato… — balançou a cabeça, ainda meio sem saber se reclamava ou se achava graça.
Ele apenas ficou ali, entre as pernas dela, com as mãos apoiadas na mesa, olhando-a de perto.
— Você disse para eu te distrair — respondeu, com um leve sorriso.
— Não imaginei que fosse desse jeito.
— Então imagine melhor da próxima vez — retrucou, em tom baixo, sem tirar os olhos dela.
Levando a mão até o rosto dela, afastou uma mecha de cabelo que insistia em cair sobre seus olhos e passou o polegar de leve pela bochecha, como se estivesse memorizando aquele toque.
Sara fechou os olhos por um instante, deixando-se sentir.
— Você ainda está nervosa… — ele comentou, percebendo.
— Um pouco — admitiu, sem tentar esconder. — Mas está quase passando.
Ele assentiu, como se entendesse, e aproximou o rosto do dela, encostando a testa na sua.
— Vai passar de vez — disse, baixo.
Sara apoiou as mãos nos ombros dele, sem afastá-lo.
— Você mudou… — ela disse, quase como um pensamento em voz alta.
Renato arqueou levemente a sobrancelha.
— Para melhor ou pior?

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