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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 66

Quando acordou, Sara sentiu a cabeça latejar de dor. Olhou para o lado da cama, procurando por Renato, mas ele não estava ali. Devagar, com o corpo ainda dolorido, sentou-se e percorreu o quarto com o olhar, confirmando que estava sozinha.

Por um lado, sentiu um alívio no peito. Não sabia como o encararia depois de tudo o que havia acontecido entre eles naquela madrugada.

Aproveitando que estava sozinha, levantou-se devagar e foi tomar um banho para tentar relaxar. Ao olhar para o chão, percebeu que o lençol manchado de sangue não estava mais ali. Preferiu ignorar o detalhe.

Seguiu para o banheiro e deixou a água cair sobre o corpo, buscando aliviar a tensão. Enquanto o banho acontecia, flashes dos beijos e dos toques dele insistiam em invadir sua mente, surgindo sem aviso, misturados às sensações que ela ainda não sabia como organizar.

Sem conseguir controlar, percebeu o coração acelerar, e aquilo a incomodou.

O que estava acontecendo?

Rapidamente, terminou o banho, se vestiu e, ao sair do banheiro, pegou o celular para ver as horas. Assim que desbloqueou a tela, levou um susto ao ver a quantidade de mensagens e ligações perdidas da mãe.

Curiosa, abriu as mensagens. A primeira já a deixou em alerta:

“Está feliz por estragar a vida da sua irmã?”

A segunda foi ainda mais direta e cruel:

“Já que você não serviu para ajudar a própria família nem conseguiu persuadir o Renato a nos ajudar, é melhor voltar para casa. Caso contrário, iremos te buscar e te trazer à força.”

Seu corpo se arrepiou no mesmo instante. Imaginar que a mãe poderia cumprir aquela ameaça e ir buscá-la à força fez um frio percorrer sua espinha. O coração voltou a acelerar e, pela primeira vez desde que acordou, sentiu medo de verdade.

Sem saber o que fazer, deixou o celular de lado e começou a andar de um lado para o outro. De repente, a porta do quarto se abriu e Renato entrou, com a expressão indecifrável de sempre. Os olhos deles se cruzaram por um milésimo de segundo, e um silêncio pesado se instalou, como se nenhum dos dois soubesse o que dizer naquele instante.

— Que bom que acordou — disse ele, depois de alguns segundos em silêncio. — Pedi para trazerem o seu café no quarto. Quando terminar, arrume as suas coisas. Voltaremos para casa.

— Tudo bem — respondeu, sem questionar.

Em seguida, Renato seguiu para o outro cômodo, sentou-se em uma poltrona e passou a mexer no celular, como se nada mais existisse ao redor.

Pouco depois, um funcionário do hotel trouxe o café da manhã e o colocou diante dela. Sara começou a comer em silêncio. Vez ou outra, seu olhar escapava na direção de Renato, que continuava concentrado na tela do telefone.

Por mais que entre eles não houvesse compromisso algum, aquele comportamento era estranho. Não que ela esperasse algo, pelo contrário, até se sentia aliviada por ele não tocar no que havia acontecido entre eles. Ainda assim, aquela indiferença despertava dúvidas. Não sabia o que viria a seguir, e isso a deixava inquieta.

Quando terminou o café, fez exatamente o que ele havia solicitado. Começou a arrumar as malas e, como Renato havia comprado mais roupas para ela, o trabalho foi maior do que imaginara.

De longe, Renato observou a cena por alguns instantes antes de comentar, em tom neutro:

— Deixe as roupas que a Lorena comprou. Você não vai precisar delas.

— Tudo bem — respondeu, meio constrangida, sentindo que, apesar da aparente indiferença, ele a observava o tempo todo.

Assim que tudo ficou pronto, os funcionários do hotel entraram para recolher as malas e levá-las até o veículo que já os aguardava. Em poucos minutos, estavam a caminho do aeroporto e, logo depois, entrando no jatinho particular dele.

Sentada na última poltrona, Sara manteve o olhar fixo na janela, perdida em pensamentos. Tentava imaginar quando teria a oportunidade de falar com Renato sobre tudo o que ficou suspenso entre eles. Ele não lhe dava espaço para conversas, e isso a deixava inquieta.

Enquanto pensava nisso, sentiu a presença dele se aproximar. Para sua surpresa, Renato sentou-se ao seu lado.

— Você está pensativa desde que saímos do hotel — comentou ele.

— Você vai continuar comigo — respondeu, sem rodeios. — Goste ou não, eu ainda preciso de uma esposa.

As palavras a atingiram em cheio. Sara sentiu o ar faltar por um instante.

— Precisa… — repetiu, quase num sussurro.

— É um acordo — completou, virando finalmente o rosto para encará-la. — Fique ao meu lado e seja leal a mim. Se cumprir com isso, eu posso te ajudar no que precisar, Sara.

Ouvir aquilo era exatamente o que ela mais queria naquele momento. Foi como se Renato tivesse lido seus pensamentos, oferecendo, ainda que de forma fria, a segurança que ela tanto buscava.

— Você disse que queria ser útil, não disse?

Ela assentiu, em silêncio.

De repente, ele falou com uma franqueza inesperada:

— Não sei por quanto tempo ainda precisarei sustentar essa farsa, mas não posso descartá-la agora. Se for leal e cumprir o papel que espero de você, prometo que não sairá com as mãos vazias. Posso te pagar muito bem, mais do que você imagina. A única coisa que exijo é fidelidade absoluta. E, se algum idiota como o Alessandro se aproximar tentando te convencer a me apunhalar pelas costas, você me avisa imediatamente e não permite que isso aconteça.

— Posso fazer isso — respondeu depressa.

— Ótimo — disse ele, ajustando-se na cadeira, como se estivesse aliviado com a resposta. — Tem mais uma coisa.

Ela prendeu a respiração.

— Quero você na minha cama todas as noites. Sem falta.

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