— Isso eu não posso prometer — respondeu, sem jeito, remexendo-se na poltrona, claramente constrangida.
Ele inclinou a cabeça, observando o nervosismo dela, e deixou escapar um sorriso enviesado.
— Não diga isso, Sara.
— Essas coisas não são tão simples para mim quanto parecem ser para você — disparou, sentindo o rosto arder.
— Eu sei — rebateu, com uma calma que a desarmou. — Eu percebi.
Ela o encarou, confusa, mas não teve coragem de dizer coisa alguma.
— Você nunca havia vivido nada assim antes, não é? — perguntou, direto, mas sem dureza.
O silêncio dela foi resposta suficiente.
— Confesso que fiquei surpreso — continuou. — Mas, sendo sincero, gostei do que vi.
— Podemos mudar de assunto? — Ela pediu.
— Não — respondeu, seco. — Eu não quero mudar de assunto.
Ela sentiu o estômago revirar.
— Saber que você nunca esteve com um homem me agrada — continuou, sem rodeios. — Me dá a certeza de exclusividade. Controle. Clareza.
Sara desviou o olhar, incomodada.
— Isso não é algo para se dizer assim — murmurou.
— É exatamente por isso que estou dizendo — rebateu. — Por isso eu a quero na minha cama todas as noites. Você já me deu a sua primeira vez. Não há mais nada que possa perder comigo.
A dureza das palavras a deixou sem reação. Sara permaneceu em silêncio, sentindo o peso de cada frase. Renato era frio, calculado, e parecia não se importar minimamente com a forma como aquilo soava, nem com o que ela sentia ao ouvir tudo aquilo dito daquele jeito.
O restante da viagem transcorreu em silêncio. Ela não teve mais coragem de dizer nada, nem de rebater. Temia o que poderia ouvir em resposta. O silêncio, naquele momento, parecia mais seguro.
Quando pousaram, um veículo já os aguardava na pista da fazenda. Para sua surpresa, era Humberto quem estava ali. Ao vê-lo, sentiu algo estranho apertar no peito. Seus olhares se cruzaram por um breve instante, mas ela desviou o rosto imediatamente, pois tinha a sensação de que ele a observava com certa expectativa, algo que a deixou ainda mais desconfortável.
Quando chegaram à casa de campo, foram recebidos por Lorena. Ao ver Sara usando roupas bem diferentes das que havia comprado para ela, arregalou os olhos. Sara estava linda, e aquilo despertou um ciúme que Lorena não conseguiu disfarçar.
Tentando ignorar o olhar de Lorena, Sara apenas baixou os olhos.
— Que bom que chegou, Renato — disse ela, forçando um sorriso. — Como foi a viagem?
— Bem melhor do que eu esperava — respondeu ele, enquanto desabotoava os punhos da camisa.
— Que bom… — murmurou ela.
— Onde está a minha mãe? — Ele perguntou em seguida, olhando ao redor.
— Ela voltou para casa.
Surpreso com a resposta, Renato arqueou uma sobrancelha, claramente satisfeito. Mas quem demonstrou ainda mais animação foi Sara, que, mesmo com a cabeça baixa, não conseguiu esconder a expressão de alívio ao ouvir aquilo.


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