Ele desviou o olhar com visível desprezo, sendo levado para o interior da casa. Foi aí que Sara sentiu como se o próprio corpo tivesse paralisado por alguns segundos.
— Está tudo bem? — Humberto perguntou, percebendo a mudança no rosto dela.
— Está — respondeu, tentando voltar ao normal. — Eu não sabia que ele chegaria hoje.
— Nem eu. Mas já faz quase uma semana que ele está no hospital. Era de se esperar que ele voltasse a qualquer momento.
— Tem razão — concordou. — Acho que vou até lá para saber como ele está.
— Tem certeza?
Sara soltou um sorriso sem graça.
— Eu não tenho… mas, de qualquer forma, não posso ficar aqui fora para sempre — brincou, tentando aliviar. — Nos vemos depois.
Humberto apenas assentiu e voltou ao que estava fazendo.
Sara começou a caminhar em direção à casa. Devagar, como se cada passo pesasse. O motorista que havia ajudado Renato já estava saindo quando a viu. Ele a observou por um instante antes de falar.
— Bom dia.
— Bom dia — ela respondeu, seguindo em frente.
Assim que entrou na sala, procurou Renato com os olhos, mas não o encontrou. Então deduziu que ele já tinha sido levado para o quarto.
Depressa, seguiu pelo corredor. Quando chegou em frente à porta, parou.
Vacilou por um instante.
E a pergunta veio sozinha, deixando seu peito apertado.
Como será que ele reagiria à presença dela?
Será que ele também não queria vê-la ali?
A dúvida a consumia, mas ela não tinha o que fazer. Afinal, tinha sido ele mesmo quem a havia levado para aquele quarto. Se fosse para ela sair, então ele que dissesse isso com a própria boca.
Por mais que não quisesse ser desprezada pelas palavras duras dele, sabia que não conseguiria evitar um conflito. Era inevitável.
Fechou os olhos, respirou fundo e tocou a maçaneta. Porém, antes mesmo de conseguir girá-la, a porta se abriu.
Lorena saiu do quarto.
Assim que a viu ali parada, Lorena arregalou os olhos e mordeu os lábios, como se tivesse sido pega de surpresa.
E ficou bem nítido que ela não havia gostado nem um pouco de vê-la naquele lugar.
Sem dizer nada de imediato, Lorena fechou a porta com cuidado e continuou ali, bem em frente à entrada, impedindo que Sara passasse.
— O que faz aqui? — perguntou em voz baixa, mas o tom deixava bem claro o desprezo.
Sara sustentou o olhar.
— Esse é o meu quarto.
— Esse é o quarto do Renato! — rebateu depressa.
— Não sei se você se lembra, mas o Renato e eu estamos dormindo no mesmo quarto.
— Isso foi antes — Lorena respondeu depressa. — Agora as coisas são bem diferentes. Você devia se tocar e perceber que não tem que ficar no mesmo ambiente que ele.
— Foi ele quem disse isso? — perguntou, curiosa.
Por um instante, Lorena pareceu querer responder de imediato, mas se conteve. Mesmo que quisesse dizer que sim, que Renato havia mandado Sara sair dali, ela sabia que precisava ser astuta. Uma palavra errada poderia arruinar tudo.
Ela queria Sara bem longe.
Ela inclinou o rosto de leve, como quem saboreava a própria vantagem.
— E, embora eu ainda não tenha mostrado aquela foto para Renato, não significa que eu ainda não mostrarei. Então é melhor você ficar bem esperta comigo.
— O que você quer, Lorena? — perguntou, tentando se manter firme. — Eu já disse a verdade para você, e mesmo assim continua me insultando.
Lorena a encarou por alguns segundos, com um sorriso pequeno e venenoso.
— Eu quero que você entenda o seu lugar. Só isso.
— Eu já sei o meu lugar aqui. E não preciso que ninguém me diga — respondeu, firme.
Soltando um sorriso sem graça, Lorena continuou:
— Por que você não some? Pegue as suas coisas e suma!
— Só farei isso quando o Renato quiser — declarou.
Apertando os punhos, por um segundo pareceu que Lorena ia partir para cima dela. A mandíbula ficou tensa, os olhos duros, e ela precisou se controlar para não perder o pouco de postura que ainda mantinha.
— Escuta aqui — disse, em voz baixa, cheia de raiva. — Você se acha na vantagem só porque ele ainda não te expulsou desse lugar. Mas eu te garanto que isso não vai demorar a acontecer.
O olhar dela ficou ainda mais afiado.
— Enquanto isso não acontece, é melhor você… — ela pausou, escolhendo as palavras como uma ameaça disfarçada — …é melhor você ficar bem quietinha e parar de achar que pode passar por cima de mim.
Sentindo que a sua “paz” havia acabado, Sara apenas assentiu e perguntou, simples e direta:
— Já terminou, Lorena?
Mesmo vermelha de raiva, Lorena não respondeu nada.
— Porque, se já terminou, é melhor sair da minha frente. Eu quero entrar no meu quarto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!