A sensação de ver aquele homem sem roupa a deixou totalmente desconcertada. Porque, assumindo ou não, ela o achava extremamente atraente. E só de lembrar das sensações que ele conseguia provocar em seu corpo, fez com que ela se afastasse no mesmo instante, como se precisasse de espaço para respirar.
— O que foi? — Renato perguntou, percebendo o nervosismo no jeito como ela recuou.
— Não é nada — respondeu, tentando se recompor. — Você não consegue tirar sozinho? — ela questionou, com a voz meio trêmula.
Ao entender de onde vinha aquele nervosismo, Renato não deixou de soltar uma risadinha irônica.
— Não me diga que você está nervosa por me ver assim.
— Não é isso — rebateu, rápido, tentando esconder o quanto estava afetada.
Ele a encarou de cima a baixo, como se estivesse se divertindo com aquilo.
— Não aja como se nunca tivesse me visto desse jeito antes.
— A situação é bem diferente.
— Eu sei — Renato respondeu. — Mas eu sou o mesmo.
O tom sarcástico na voz dele a deixou ainda mais nervosa.
— Você pode tirar sozinho ou não? — Perguntou, impaciente.
— Eu posso — Renato respondeu.
Mas, em seguida, completou, sem tirar os olhos dela:
— Só que eu quero que você faça isso por mim.
Sem acreditar no que tinha acabado de ouvir, ela arregalou os olhos, surpresa com a audácia.
— Você está se aproveitando, sabia?
Renato não negou. Apenas respondeu, simples:
— Eu sei.
Sem opções, ela apenas se aproximou novamente e o ajudou a retirar a última peça que faltava.
Renato percebeu que as mãos dela tremiam. E aquilo o divertia de um jeito que, lentamente, o estresse que ele sentia mais cedo começou a se desfazer.
Já nu, ela o ajudou a se sentar no banco e ligou a ducha, com cuidado, para evitar que a água atingisse direto os ferimentos recentes.
Mesmo sabendo que ele estava se aproveitando daquela situação, Sara não conseguiu ignorar o que viu. As marcas dos tiros eram profundas. Reais. E aquilo fez uma lembrança ruim voltar na mesma hora.
A noite em que o viu dentro do carro, todo ensanguentado e desacordado. Ela se lembrou do medo que sentiu naquela noite. Do pânico de pensar que ele podia morrer daquele jeito. E do impulso que a fez esquecer de tudo e apenas ajudá-lo.
— Está feio, não acha? — Renato disse, ao notar o quanto ela encarava a cicatriz no ombro dele.
Sara piscou devagar e desviou o olhar, tentando disfarçar.
— Não importa a aparência — respondeu, com a voz baixa. — O que importa é que você está vivo… e bem.
— Acha mesmo que acredito na sua preocupação? — Ele rebateu.
— Eu não me importo com o que você acredita — respondeu. — Eu só estou sendo sincera.
E voltou a se concentrar no que estava fazendo.
Enquanto ela ensaboava o corpo dele, Renato percebeu o quanto ela parecia diferente do dia em que havia chegado naquele lugar.
Não era só a aparência, que já falava por si só… era também a postura dela. O jeito mais firme de se mover, como se não fosse mais a mesma garota assustada de antes.
Sentindo-a ali tão perto, Renato não resistiu. E a pergunta escapou, baixa, direta:
— Por que não foi me visitar no hospital?
A pergunta a pegou de surpresa.
Sara virou o rosto e encontrou o olhar dele, sério demais para ser brincadeira.
— Do que você está falando? — perguntou, confusa.
E então respondeu, sem hesitar:
— Eu fui.
Ele franziu a testa, confuso.
— Não minta para mim, Sara! — bradou com a voz grave.
— Eu não estou mentindo — rebateu.
Ela tentou se mexer, mas viu a expressão de dor voltar ao rosto dele e parou na mesma hora.
— Me desculpe — pediu, esperando que ele voltasse a encará-la.
— Está tudo bem. Só não se mexa novamente sem me avisar — pediu.
Assentindo, Sara o esperou se recompor por alguns segundos, até resolver confessar:
— Eu estive lá… — continuou. — Mas a Lorena me disse que você não queria me ver.

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