Ao ouvir o que ela acabou de confessar, Renato a olhou nos olhos, tentando entender se aquilo era mesmo verdade. E o olhar de Sara não negava. Ela estava sendo sincera.
— O quê? — perguntou, sem acreditar.
— É isso mesmo que você ouviu. Eu estive lá pela manhã, quando você havia saído da cirurgia. A recepcionista disse que não podia receber visitas… mas falou que eu podia trocar de lugar com a Lorena por um tempo, para ficar no quarto com você. Quando ligaram para o quarto avisando que eu estava lá, a Lorena apareceu e disse que você não queria me ver.
Renato ficou em silêncio.
Como ela fez isso?
Ele não conseguia acreditar que Lorena tinha mentido, não só para Sara… mas também para ele, quando ele perguntou se ela havia aparecido no hospital.
Vendo o rosto perplexo de Renato, Sara ficou confusa.
— Então você não sabia?
— Não. Eu não sabia — respondeu, com a voz baixa. — A Lorena me disse que você não apareceu nem um dia por lá.
Sara abaixou o olhar.
— Depois que ela me disse que você não queria me ver… eu realmente não fui mais.
— Como você pôde acreditar no que a Lorena te disse sem ao menos questionar? — ele indagou, ainda tentando assimilar aquela conversa.
— E o que você queria que eu fizesse? Que eu fosse até o quarto só para escutar você me dispensar e falar as mesmas coisas horríveis que ela disse?
Renato abriu a boca para responder.
— Eu não…
Mas parou no mesmo instante.
Porque não tinha uma resposta boa. Não tinha como negar que, na cabeça dela, aquilo fazia sentido.
— Tudo o que a Lorena disse fazia sentido para mim naquele momento. Eu não sabia se você ia querer me ver num momento como aquele. Eu não sou ninguém para você… e não tinha motivo nenhum para você querer realmente a minha presença ali.
Renato ficou em silêncio.
E naquele momento ele soube que não dava para se defender.
Porque, do jeito que ele vinha tratando Sara desde o início… tudo aquilo fazia sentido.
Todavia, uma raiva tomou conta dele de um jeito que mal conseguia controlar.
Saber que Lorena, além de falar por ele, ainda tinha mentido, o deixava com vontade de confrontá-la naquele mesmo instante. Não podia permitir que ela tomasse uma atitude como aquela e saísse impune, como se nada tivesse acontecido.
— Vou tentar sair de cima com cuidado — disse ela, ao ver que Renato havia ficado em silêncio por mais tempo do que esperava.
— Não — ele rebateu depressa. — Espera mais um pouco.
No mesmo instante, Sara sentiu uma das mãos dele subir por sua cintura e tocar seu rosto. Renato ergueu o seu queixo, obrigando-a a encará-lo. Naquele momento, ele mirou aqueles olhos verdes intensos e, em seguida, deixou o olhar descer até a boca dela, que parecia tão convidativa.
Não podia negar. Estava com vontade de beijá-la naquele mesmo instante.
— Achei que você não estava preocupada comigo — confessou, com a voz baixa, sem tirar os olhos dos lábios dela.
No mesmo segundo, Constança se virou para o filho, com os olhos cheios de lágrimas.
— Filho… como foi que aconteceu uma coisa tão terrível com você e mesmo assim não teve coragem de me contar?
— Será que podemos conversar outra hora? — Renato pediu, tentando manter o tom firme apesar da dor. — Você não pode entrar no meu quarto quando bem quiser.
Sem acreditar no que estava ouvindo, Constança o encarou. Então, se aproximou da cama, com o olhar indignado.
— É isso mesmo que você me responde? — A voz dela tremeu, cheia de revolta. — Você quase morreu há alguns dias e a sua preocupação é que sua mãe entra no quarto desesperada por não ter notícias suas?
— Sei que eu errei em não falar nada, mas isso não justifica a sua atitude. Você não pode entrar no meu quarto quando bem quiser, e ainda mais tratar a Sara desse jeito.
Ele olhou para Sara, que naquele momento estava se levantando do chão.
— Você está mesmo preocupado com o jeito que trato essa… ninguém? — Constança disparou, com a voz carregada de raiva. — Ela estava em cima de você, ferido! Como você queria que eu reagisse?
Ela apontou para Sara de novo, com os olhos arregalados.
— E se essa garota estivesse tentando te matar, hein? Ou por acaso agora você confia nela?
— Chega, mãe.
Soltando uma risada curta e indignada, Constança balançou a cabeça em negação, como se ele fosse o errado.
— Chega o quê? Eu sou sua mãe! Eu entro aqui e te vejo desse jeito, machucado… e ela por cima de você! Você queria que eu ficasse calma? Não me diga que essa mulherzinha está jogando tão sujo para ficar na sua cama… que não respeita nem a sua recuperação? — disparou, com desprezo. — Isso só prova o quão safada ela é, igualzinha à irmã!
— Que porra! Eu já não disse para parar?! — Ele gritou, perdendo a paciência. — Meça as suas palavras e respeite a Sara!

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