Como estivesse sendo acusada de algo absurdo, Lorena piscou algumas vezes, antes de pensar no que responder.
— Do que você está falando?
Ao perceber que ela queria enrolá-lo, ele apenas apertou os dentes.
— Eu estou falando que a Sara foi até lá. A recepcionista deixou ela trocar de lugar com você. E quando ligaram para o quarto, você apareceu e disse que eu não queria vê-la.
A expressão dela mudou por um segundo. Muito rápido. Mas ele viu.
Ela tentou se recompor, mantendo o tom calmo.
— Renato… você está confundindo as coisas.
— Não, não estou — rebateu, frio. — Eu só quero ouvir da sua boca.
Tentando manter o controle, ela se aproximou da cama.
Sabia que precisava ser astuta e usar as palavras certas, senão só pioraria a situação com ele naquele momento.
— Tudo bem, admito que ela esteve lá e a mandei voltar. Mas fiz o que achei melhor naquele momento.
— Melhor para quem?
Sem saber o que responder, ela apenas ficou em silêncio. E aquilo para ele foi resposta suficiente.
— Você falou por mim, Lorena. Você decidiu por mim. E ainda mentiu na minha cara.
Ela levantou o queixo, como se não aceitasse ser colocada contra a parede.
— Eu só estava te protegendo.
Soltando uma risada curta e sem humor, ele disparou:
— Me protegendo de quê?
O olhar dela endureceu.
— Sei que pode parecer loucura o que vou dizer, mas eu não achei confiável deixá-la ao seu lado, sozinha… ainda mais com você nesse estado. Ninguém sabe quem foi o mandante do atentado contra você. Então, até descobrirem a verdade, ninguém é confiável. Nem mesmo ela.
— Você está me dizendo que desconfia que foi ela quem tentou me matar?
— Não ela diretamente, mas a família dela — explicou depressa. — Essas pessoas não são de confiança. E pode ter certeza de que nenhum deles quer o seu bem.
— Mesmo que você pense assim, não tem direito de decidir isso por mim — ele cortou. — E não tem direito de mentir quando eu te pergunto alguma coisa.
Mesmo irritada com aquela repreensão, manteve o tom calmo.
— Como eu disse, eu só fiz o que achei certo naquele momento. Eu pretendia te contar a verdade quando você estivesse melhor. Mas vejo que ela foi mais rápida — ironizou.
— E daí?
Lorena ficou sem resposta por um instante, como se estivesse se reconfigurando.
— O que eu acho é que essa mulher quer me colocar contra você.
— Vai mesmo se fazer de vítima? — Dessa vez foi Renato quem ironizou.
— Não… eu não gosto desse papel. — Ela respirou fundo. — No entanto, eu sempre estive ao seu lado. Já provei o quanto me preocupo com você.
Ela deu mais um passo, falando com cuidado.
— Mas, pelo que vejo, você parece estar com raiva de mim… só porque pensei no seu bem, quando você não estava apto naquele momento.
— Estou com raiva porque você passou do limite. E quero que isso nunca mais se repita.
De repente, a voz dela começou a ficar trêmula, como se estivesse prestes a chorar.
— Eu sempre fiz tudo o que você pediu… — disse, segurando o choro. — E agora, por conta de um erro, que a meu ver foi apenas por proteção temporária, você me adverte. Acho que eu nunca serei suficiente para você… já que pareço sempre errada aos seus olhos.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!