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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 106

Adam

Passei a noite bebendo no meu quarto. Amiel e Antero tinham se negado a ir embora, com medo de que eu fizesse alguma loucura.

De fato, alguns lobos se machucaram — ou tiraram a própria vida — desnorteados por terem sido abandonados por suas companheiras.

— Acorda! Eu não vou ser sua babá. Tenho uma fêmea com filhotes me esperando. — Amiel resmungou.

— Cala a boca, Amiel. Quer que ele se deprima de vez? — retrucou.

O Beta e o Gama ainda estavam aqui? Raios. Abri os olhos a contragosto e joguei um travesseiro neles.

— Vão embora. Vão cuidar dos filhotes de vocês. Eu não quero ver aquela fada que já deve ter sumido com a minha fêmea de novo.

— Está vendo, Antero? — Amiel fez menção de sair, mas o Gama Antero o puxou de volta.

— Lembra quando briguei com a Lívia e fui direto ao encontro de um grupo de renegados? — Antero falou, olhando para Amiel. — Não vou deixar ele aqui.

— Vamos — disse o Beta com firmeza. — É uma ordem.

O Beta usou seu comando alfa; algo que ele nunca havia precisado usar comigo. Sempre fui muito controlado — nunca precisei de repreensão do Beta ou do Rei. Mais um comando e somos obrigados a obedecer. Inferno de Beta.

Levantei-me a contragosto. Lavei o rosto, passei a mão no cabelo e segui atrás deles. Sentei-me no banco de trás, pensativo.

— Antero? — chamei.

— Fala, Adam. — Ele respondeu sem tirar os olhos da estrada.

— O que eu fiz de errado dessa vez? — perguntei, expondo uma fraqueza que nunca mostrara. — Ela falou que me amava e sumiu.

— Fêmeas sempre têm um motivo. Você conversou com ela sobre a gravidez? — Antero perguntou.

— Marquei o procedimento. — respondi seco. — Ela sabe que é o certo a se fazer...

O Beta bufou e virou-se para me encarar do banco da frente.

— O que queremos saber, Adam, não é o que é “certo”. É se ela quer ou não fazer a p*rra do procedimento.

— Eu sou companheiro dela. — disse, com a voz prendendo. — Ela quer arriscar a vida e me deixar viúvo? Capaz de me enlouquecer por causa dos filhotes de outro? Então por que eu não a ouvi?

Amiel voltou a olhar a estrada, impassível.

Na minha cabeça, uma voz esbravejava: você vai nos deixar sem companheira agindo como um menino inexperiente. Humano arrogante.

— Minha fêmea está grávida, confusa e vulnerável. Você se aproveitou da situação, Atenor.

— Eu não preciso me aproveitar da sua fêmea. Eu tenho a minha. — ele respondeu, lacônico.

— Ela é fada; não sentiria o cheiro da Eliz em você. O olfato dela não é como o nosso — tentei argumentar, sem acreditar no que ouvia.

— Eu não sou você; nunca trairia minha fêmea às escondidas. — Ele rebateu.

O que diabos ele queria dizer com aquilo? Olhei para Atenor; Amiel e Antero evitavam me encarar. A verdade me caiu como um soco no estômago.

— Vocês... seu desgraçado! — quando segurei a gola da camisa dele, as fêmeas apareceram no alto da escada.

Meu lobo rugiu ao vê-la. Eu estava indignado por ela ter se entregue a outro e ainda parecer me esnobar. Se não estivesse nessa situação, eu lhe daria uma boa lição.

Quando ela desceu, o cheiro de outro em nossa loba me deixou desnorteado. Ela retrucou, dizendo que queria que eu aceitasse os filhotes dela. Pensando no que Amiel e Antero haviam dito, decidi agir diferente desta vez: aceitei o inaceitável. Tudo. Qualquer

coisa eu faria para tê-la de volta nos meus braços. Para sentir seu aroma, suas faíscas quando me toca, essa fêmea está sob minha pele.

Peguei-a no colo; ela se assustou e soltou um gritinho de surpresa. Repreendi-me mentalmente e subi as escadas com um mantra na cabeça: Ela está grávida e fraca. Cuidado. Mas meu lobo estava em pura ansiedade, querendo marcar cada pedacinho dela com o nosso cheiro.

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