Eliz
O pânico se instalou em nós: Adam sentiria meu cheiro no Atenor. Mesmo assim, minha amiga começou a abrir um vórtice para me tirar da casa.
Coloquei-me à frente dela, interrompendo a magia.
— Vamos ajudar seu companheiro. — Eu sou responsável.
Ania e eu nos viramos e apressamos os passos rumo à sala, quando ouvimos um rosnado alto.
— Vocês duas, parem agora mesmo! — Lívia gritou, a voz misturando-se com sua Lycan.
Parámos, assustadas.
— A prioridade de vocês agora é manterem-se seguras. Nenhuma das duas vai descer essa escada, estão ouvindo?
Eu e Ania sabíamos melhor. Nix, a Lycan, brilhava nos olhos de Lívia. Por isso os lobos e os Lycans vivem em matilhas: um cuida do outro.
Lívia passou à nossa frente com passos firmes; ficamos no alto da escada observando os machos.
Quando começamos a descer, tivemos um vislumbre: Amiel segurava Adam, e Atenor desviava de um golpe.
Assim que Ania viu, expandiu um escudo até seu companheiro. Ele lhe lançou um olhar — “já conversamos sobre isso” —. Minha amiga não entendia que aquilo o fazia parecer fraco; coisa que ele nunca fora até se envolver com ela. Por outro lado, Ania achava desnecessário que ele se machucasse se ela podia protegê-lo.
Adam lançou-me um olhar em que alívio e raiva se misturavam, à flor da pele.
— Você falou que me amava e foi dormir com ele? Que tipo de companheira é você?!
A decepção dele fez minha loba encolher de tristeza. Minha parte racional, no entanto, lembrava que, se eu não fosse uma loba forte, ele teria montado um harém e me forçado a cumprir as escalas das fêmeas que iriam para sua cama — então, de certo modo, ele experimentou uma pitada do que queria impor a mim por toda a vida.
— Você é muito mimado. Sinara deve ter esquecido de te dar uns “nãos” quando você era pequeno. — retruquei.

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