Eliz
Virei-me, peguei um vestido e o vesti com cara fechada.
O sexo com Adam era incrível; o problema é que eu sempre ganhava uma humilhação misteriosa em seguida.
— Vai querer que eu desça sem roupa também, Supremo? — provoquei.
Olhei incrédula para o macho que agia como um adolescente gigante naquele exato momento.
— Não. Você já andou mostrando o que é meu demais por aí. — Ele abriu a porta e gesticulou para que eu passasse.
Comecei a descer à frente, mas ele colou em mim, a mão pousando na minha cintura de forma possessiva.
A mesa estava posta com requinte.
Quando me sentei, todos os olhares me acompanharam — meu cheiro provavelmente tinha chegado antes de mim.
Lívia quase cuspiu a bebida, segurando o riso; Amiel e Antero sorriam descaradamente, olhando para Adam, quase lhe parabenizando.
Ania, como sempre, estava alegre e amorosa — fadas não têm olfato tão apurado quanto o nosso.
Atenor nos lançou uma rápida olhada e logo voltou sua atenção para Ania, oferecendo-lhe um petisco na boca. Claramente não era a resposta que Adam tinha pensado.
— Estou feliz que vocês se entenderam. — disse Lívia, por fim. — Diferente dos humanos que se escolhem, aceitar o vínculo que a deusa impõe pode ser um pouco turbulento.
— No nosso caso, mesmo que a deusa não nos unisse, nossos pais e o rei já tinham selado nosso destino. — falei, ajeitando o guardanapo no colo, nervosa.
— O contrato é de um ano. Vocês poderiam ter se contido: os dois estão marcados. — pontuou Amiel, entre uma garrafa e outra.
O que eu poderia dizer?
— Ela me amarrou com fio de prata no dia em que me marcou. Montou-me e me marcou. Foi incrível. — disse Adam.
Senti o calor subir pelo rosto.
Devia estar mais vermelha que uma pimenta madura.
Eu não acredito que ele falou isso em voz alta.
A humilhação seria o auge da minha noite.
— Me lembro de algo parecido comigo, é ótimo sentir que elas tem tão pouco controle quanto nós, se tratando do vínculo. — Antero disse sorrindo.

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