Eliz
Eliz deu de cara com muitas embalagens lindas nas mãos das servas, que as levavam aos poucos para seu quarto. Na sala de visitas estava o elfo Calendi, com sua túnica branca e a habitual postura nobre.
— Calendi, que prazer revê-lo — disse eu, sem me aproximar demais, temendo que ele percebesse o cheiro forte de Adam.
Ele, no entanto, veio até mim e me abraçou; senti seu poder envolver-me e restaurar-me. A força de Calendi é superior à de Adam — pelo menos no que toca à cura. Nunca o vi lutar, e a constituição física de Adam parece, de fato, mais robusta.
— Estou feliz que você fique perto de Ania, para qualquer eventualidade na gravidez. Trouxe o enxoval, como prometi — disse Calendi.
Nem precisei me virar para sentir a aura mortífera atrás de mim: Adam.
Antes que ele fizesse alguma grosseria, Ania abriu suas asas pontilhadas de brilho.
— Calendi, que surpresa ótima! — Ania exclamou, saltitante; passou pelos machos, pulou em direção a Calendi, segurou-o forte e rodopiou de alegria.
Ao ser colocada no chão, Atenor cumprimentou Calendi com um aperto de mão e um tapa amistoso nas costas.
Adam posicionou-se ao meu lado, passou a mão pela minha cintura e trouxe-me para perto, sutilmente — gesto surpreendente vindo dele. Calendi o cumprimentou com um aceno de cabeça.
Atenor se sentou e colocou Ania em seu colo. Adam sentou-se ao meu lado, e Calendi ocupou uma poltrona próxima, onde lhe serviram chá e petiscos.
— Então, como vai o treinamento com seu filhote? — Calendi perguntou, e a conversa deslizou entre o filhote dele e os meus. Assim que Adam percebeu que Calendi tinha companheira e filhote, relaxou um pouco o braço em torno de mim. E não sou tola para dar provas contra mim mesma.
— Ania, pare de abrir vórtices e de usar magia até as crianças nascerem. Poupe sua energia para ajudar a Eliz no final da gravidez — Calendi advertiu.
— Ah! Por quem me toma? — Ania fingiu estar brava, brincando. — Já tomei todas as providências: pedi ajuda da bruxa Gladis para me substituir caso algum imprevisto aconteça.
Até Adam aquiesceu com a cabeça.
— Sabem que podem me chamar, se precisarem — Calendi acrescentou.
Quando ele partiu, Adam exalou o ar que vinha prendendo.
Pouco tempo depois, os berços chegaram e foram montados no berçário por Adam. Enquanto eu observava, vi Kaelion, um dos gêmeos, agarrar o próprio pé e enfiá-lo na boca dentro do berço.
— Como vou dar conta de dois? Nem imagino como será nossa vida — falei, testando as águas. Na verdade, ainda não sei que tipo de vínculo Adam pretende ter com meus filhotes.
— Como vou dar conta de dois? Nem imagino como será nossa vida — falei, testando as águas. Na verdade, ainda não sei que tipo de vínculo Adam pretende ter com meus filhotes.
— Você terá muita ajuda — ele disse, terminando a montagem e vindo para perto, ficando ao meu lado junto ao berço. — Sua amiga está viva cuidando de seis; você ficará bem.
Meu sorriso se desfez.
— Não poderá, Adam. Sinto muito.
— Como assim? — ele perguntou, surpreso.
— Eu fiz um contrato com Gustavo — respondi.
Ele deu um passo atrás.
— Você o quê? Esse lobo vai viver perto das suas crias? Vai nos assombrar pelo resto de nossas vidas?
Adam passou as mãos pelos cabelos num gesto nervoso. Tentei tocá-lo; ele se afastou. Aquilo doeu.
— Adam, deixa eu explicar — falei baixinho, para não assustar os filhotes no berçário. Ele começou a caminhar em direção à porta. Lágrimas involuntárias escorreram pelo meu rosto. — Por favor...
— Me desculpe, Eliz. Eu preciso de espaço — disse ele.
Virou as costas e saiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...