Adam
— Ela não quer se suicidar; está grávida. Infelizmente, alguns problemas dificultam um parto saudável — não está no nosso controle.
— Entendi...
Agradeci ao Gustavo por me avisar, mesmo sabendo que ele o fizera pensando nos netos.
Passei pelo quarto dos filhotes. A ômega Lúcia estava perto, arrumando algumas roupas enquanto os observava. Aquiles brincava com um carrinho emborrachado; sua irmã cochilava, tão tranquila — minha lobinha parecia um anjinho.
— Onde está a Eliz? — perguntei.
— No último andar, no espaço “Hygge” dela, com as amigas. — respondeu Lúcia.
— Hum.
Subi as escadas e fui ao meu quarto. Eu raramente entrava no quarto das meninas — não queria invadir a privacidade delas. Tomei um banho; o dia fora cansativo.
Quando saí do banho e ainda não havia colocado a camisa, senti o cheiro dos machos reais.
Desci os degraus descalço, apreensivo e curioso com a chegada inesperada deles. Abri a porta e vi Amiel, de cara fechada, descendo do seu Kia Carnival 2025 — ele, o macho que preferia carros esportivos. Contive o sorriso e fui ajudar a descer os seis filhotes.
Logo atrás veio Atenor, também com seu filhote meio fae.
— Isso aí, garoto — incentivou Atenor — vão tremer de medo quando te verem abrindo essas asas por aí. O pequeno bateu palminhas, sorridente.
Passamos pelo primeiro andar e deixamos os filhotes e as bolsas no quarto das crianças. Ao ver a cara de espanto da ômega Lúcia, chamei uma segunda serva para ajudar a cuidar dos nove filhotes no total.
Acomodamos os pequenos e subimos ao último andar, onde a Eliz estava. Dei duas batidas — nada. Bati de novo — ainda nada. Olhei para a cara impaciente de Amiel e saí da frente. Ele chutou a fechadura; a porta se abriu com um estrondo que ecoou como uma batida de boate. As fêmeas nem haviam notado o estampido.
Quando o lugar fora reformado, tinha tons pastéis, mesas e cadeiras para chá, flores e quadros decorando o ambiente. Agora havia um sofá vermelho-sangue que ia de um canto ao outro, luzes de boate na penumbra, um canto com uma DJ e ao lado um pequeno bar com variedades de bebidas , no centro, um pequeno palco circular. Dois machos faziam coreografias: correntes atravessavam seus peitorais e um pedaço de couro — quase arremessado fora — cobria suas partes íntimas. Ao redor, as fêmeas gritavam: “Tira! Tira! Tira!”
Passei o olhar pelas presenças: muitas eram do antigo círculo de trabalho da Eliz, outras, guerreiras da matilha do Sul; havia fêmeas da matilha do Norte e algumas que eu nunca vira antes. Mas a minha não estava ali, nem as das famílias Reais. Um frio percorreu minha espinha.
Fiquei tão irritado quanto Amiel, que atravessava o cômodo em direção a porta que dava para o anexo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...