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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 128

Gustavo

Respirei fundo e contei até mil. O que aconteceu para ela vir aqui? Tamborilei a caneta na mesa algumas vezes, enquanto a faxineira recolhia os cacos do vidro daquela premiação que eu havia arremessado. Até hoje nenhuma fêmea havia me encostado na parede como ela faz constantemente. Tomara que a deusa não permita que minha neta Artemísia seja igual.

Peguei o telefone e disquei para alguém improvável — afinal, ela me deu algo raro: dois herdeiros. Ao contrário do que ela imagina, Artemísia será minha primeira escolha.

Chamei algumas vezes, até que ele atendeu.

— Fala, Gustavo.

— Quero conversar pessoalmente com você.

Marquei no mesmo restaurante da esquina onde encontrei Eliz pela primeira vez. Sorri sozinho e pedi um bife orelha-de-elefante, lembrando de como ela comia — com avidez, grávida dos meus netos. Aquele dia foi um presente da deusa para que eu continuasse.

Senti um pigarro; Adam havia chegado e me observava.

— Senta. — indiquei.

Ele se sentou em silêncio.

— Como você sabe, eu perdi meu filho — ele ficou rígido; o olhar vasculhou o restaurante em busca de armadilhas. — Acontece que você segurou a espada que o cortou, mas não foi ali que ele morreu.

Meu prato chegou; Adam pediu apenas uma bebida, que nem tocou.

— Meu filho morreu por dentro — comecei, tentando controlar a voz. — Organizou empresas, alcateias, contratos; deixou o exército com a hierarquia definida. Terminou um relacionamento com uma fêmea que via esporadicamente...

— Eu não sou psicólogo, Gustavo. — Ele cortou, seco.

Ai, ai. O que eu não faço pelos meus netos.

— Eliz tem o mesmo olhar. Eu não percebi no Gael, porque lobos fortes, criados para dar conta de todos, não entregam suas fraquezas aos outros — continuei. — Mesmo sangrando por dentro, não mostram. Não deixam suas obrigações, nem as colocam nos ombros alheios; parecem inabaláveis e poderosos. Meus netos já não têm pai; odiaria que também não tivessem mãe.

Bem minha parte estava feita, ele tinha sido avisado.

Eu teria dado o mundo se alguém tivesse me alertado a tempo.

**KAIA

— PLAP! — outro tapa acertou meu rosto. Senti o gosto do sangue escorrer pelo canto da boca.

— Como você ousou perder todas as regalias que tinha? — meu pai berrou. — Foi criada como filha de Supremos. Como não conseguiu um macho de alto escalão?

— Eu amo o Adam, pai. — falei, desesperada, temendo a punição.

— Amor? Pelo quê? — ele me puxou pelos cabelos para fora da tenda. — Você rejeitou seu companheiro; o que quis foi status.

— Eu não te quero — falei, palavra por palavra, para que ele entendesse.

— Eu sei disso — respondeu, os olhos escurecendo.

Houve um som seco: minha roupa se rasgou. Lágrimas escorreram em cascata pelo rosto.

Ele me empurrou para a cama. Apoiei-me com as mãos; senti minha intimidade exposta, vulnerável. Supliquei:

— Por favor, não faça isso, Caspian.

Ele se posicionou atrás de mim. A dor veio como brasa. Tentei resistir, mas suas mãos seguravam minhas costas com força.

— Você me pertence — disse ele, firme. — Sempre pertenceu.

Começou a forçar-se contra mim. Dói demais. Ouço o lobo dele na superfície, crudeza e fome.

— Eu, Kaia, te rejeito, Beta Caspian — tentei dizer com a voz falha.

Ele parou por um momento, depois recomeçou. Suas mãos me prendiam; tentei me debater inutilmente. Ninguém interveio. Enquanto aquilo acontecia, a culpa me consumia — maldita Eliz. Tudo isso é culpa dela.

Então piorou, sua mão puxou meu corpo de encontro ao dele e seus dentes encontraram meu pescoço por trás, ejetando sua essência.

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