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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 131

Adam

Eu alisava os longos cabelos de Ania no meu colo, enquanto Atenor segurava minha fêmea entre os braços; mas o olhar dela dizia que ela estava satisfeita ali — eu e meu lobo sabíamos melhor. Ela parecia querer me deixar em meio aos amigos caso partisse, e as atitudes dela começavam a me ferir por dentro. Por fim, Ania levantou-se e me deu um beijo leve, roçando os lábios nos meus.

— Boa garota. — murmurei no seu ouvido. Aprofundei o beijo e afaguei sua cabeça.

Ela foi até seu companheiro. Nesse momento, Eliz beijou Atenor e veio aninhar-se no meu colo; segurei-a apertado contra o peito.

Nossos olhares se encontraram; o cheiro marcante dela me envolvia. O movimento dos seus seios, firmes e cheios, era impossível de ignorar.

Se eu pudesse anular o sofrimento que vem pela frente — ou ao menos lhe garantir uma gravidez tranquila — faria. Mas não sei como agir. Ter uma fêmea inteligente e corajosa demais também tem seu lado negativo. Não posso enganá-la dizendo que tudo vai bem.

Os olhos de Atenor se prenderam aos meus; eu sabia que ele também percebera.

— Atenor, obrigado por cuidar dela sempre que ela te procurou — sussurrei pelo elo mental.

— Disponha. O prazer foi todo meu. Mas você tem mais um problema — respondeu ele.

Levantei a cabeça e olhei para ele com medo; havia um brilho escondido nos olhos de Atenor.

— Ania e Eliz combinaram de ficar na sua casa até o filhote nascer.

Abri os olhos, tentando controlar as emoções. Essas fêmeas juntas eram pura dinamite.

Atenor jogou a cabeça para trás, tão chocado quanto eu. Depois ergueu o rosto e me encarou, como se tivesse esquecido algo importante.

— E se você tiver engravidado a minha fêmea, vou arrancar suas bolas — rosnou em minha mente.

Meu estômago levou um soco. Um misto de culpa e gratidão apertou meu peito.

— Está bem — respondi sem emoção. Não consigo ser tão cínico quanto ele nesses momentos.

Agora sim estou f*****. Deixei-me levar pelo momento; achei que ela tivesse tomado alguma porção, qualquer coisa... ela é uma fada, caralho.

— Humano idiota — Igor rosnou, interrompendo minha conversa mental com Atenor.

As fêmeas dormiam pacificamente em nossos braços, e eu adoraria que acordassem só para mais uma rodada, pelo menos.

— Para mim, o que importa é a saúde deles e a sua, companheira. Vamos?

Helena passou o gel na minha barriga, colocou o aparelho e começou a observar a tela, com aquele “cinco na testa” característico dela.

— Bem… temos um macho muito saudável chegando.

Um sorriso se abriu instantaneamente em meu rosto, como se um peso enorme tivesse sido retirado. Olhei para Adam, que também sorria. Eu sempre digo que ele deveria sorrir mais — fica tão lindo.

— Agora, vamos redobrar os cuidados com você, Eliz — Helena continuou. — Nada de movimentações bruscas, nada de peso. E correr? Nem pensar. Ah, e vamos tirar um pouco de sangue para deixar reservado para o parto, só por precaução.

Kaia

Eu observava o macho que a deusa me dera: um bruto, sem refinamento, sem fortuna. Ele me obrigara a trabalhar nas plantações; minhas unhas estavam reduzidas a tocos, e minhas mãos, cortadas por lidar com ferramentas que eu nunca havia usado na vida.

Agora, ao me olhar no espelho, via cabelos queimados e sem vida — como palha de milho — e a pele, antes imaculada, toda castigada pelo sol.

Estou amargurada; se arrependimento matasse, eu estaria morta. Passei as costas das mãos pelo rosto, sujando-o ainda mais. Preciso encontrar um jeito de fugir daqui.

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