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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 132

Atenor

Eu andava em pele de lobo, como sempre — atrás de Ania. Muitas vezes me chamavam de "cachorrinho doméstico" da fada; eu não ligo. As mãos dela serpenteavam por todo o meu corpo lupino, me dando as melhores sensações possíveis. Mas hoje havia um brilho diferente ao seu redor.

— Vem, lobinho. — Ela abriu as asas e voou pela floresta, tão pequena para criar tanto caos.

Ela abriu um vórtice para Arcádia e eu passei à frente.

— Fique atrás de mim.— falei a ela.

Pulei para a frente, observando se havia perigo ao redor. Meu pedacinho de ousadia seguia pousando nas pontas dos pés, elegante e fluída.É algo de que jamais me cansarei de assistir.

Ela tinha um top tomara-que-caia, para não atrapalhar as asas, e uma mini-saia. Isso levou meu nariz à sua intimidade — inalei seu doce aroma. Lógico que meu lobo não perderia a oportunidade de esfregar o focinho ali; o cheiro da excitação doce dela me cercou.

— Para com isso, lobinho. Estamos em uma missão aqui. Eu sei que já vi as ervas sagradas por aqui.

A flora arcadiana é singular e encantadora; ela, batendo as asas translúcidas e derramando pó dourado por todos os lados, completava o cenário. Deitei-me e choraminguei, sem nenhuma vergonha ao implorar o favor dela. Virei-me de costas, expondo barriga e pescoço — a posição mais vulnerável e humilhante para um lobo. Ania não via isso como submissão; achava apenas fofo e irresistível. Cada um luta com as armas que tem.

Ela começou a afagar meu pescoço e desceu pela minha barriga; poderia descer só mais um pouquinho com aquelas mãozinhas ágeis de fada.

— Achei! — suas mãos, parando a pouco centímetros do lugar ideal.

Minhas orelhas caíram; não seria dessa vez. Ania já corria, olhos brilhantes, em direção a uma flor minúscula e azul.

— Aí, lobinho. Agora só preciso preparar a infusão para dar a Eliz.

Ela já colhia as pequenas plantinhas frescas há dias, sem descanso, em vários lugares diferentes, cuidando com esmero para garantir o máximo poder de cura no dia do parto de Eliz.

Tinha tanto orgulho do empenho dela em ajudar as amigas e de como cuidava amorosamente do nosso filhote — e de mim.

Voltei à forma humana, ainda atento ao redor, e não resisti a passar a mão pelos cabelos macios dela — seu olhar se voltou para mim, e seu sorriso caloroso, quase infantil, aqueceu meu peito. Ainda não acreditava que a deusa Selene tivesse dado a um lobo um ser tão angelical.

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