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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 134

Eliz

A cena não era nada bonita — na verdade, era inacreditável. Todo lobo deveria respeitar e honrar sua fêmea. Ela o complementava, o confortava depois das guerras, arriscaria a vida para gerar seus filhotes. E esse tipo de violência era tão raro que, para quem vive à margem da nossa realidade, poderia até parecer lenda. Infelizmente, eu já tinha visto mais disso do que gostaria de admitir.

Minhas guerreiras estavam ao meu redor, e minha amiga fada ao lado. Eu sabia que Ania lançaria uma magia de proteção caso algum daqueles idiotas tentasse qualquer coisa. Ainda assim, ao meu ver, eu também era responsável pela segurança dela — afinal, fui eu quem a trouxe.

— Olá. Vim buscar algo que deixaram aqui por engano... algo que pertence ao meu companheiro.

Falei com delicadeza, mas Caspian entendeu imediatamente o deboche.

— O que está aqui me pertence, não a ele. Sinara a trouxe pessoalmente.

— Houve um equívoco. Você não ficou sabendo que o Supremo mandou formar um harém?

Caspian ficou vermelho de raiva. Todos tinham ouvido. Imagine ter sua fêmea preferindo ser apenas uma parideira a permanecer ao seu lado. Somente um macho incapaz de satisfazer sua fêmea passaria por isso.

Pisquei devagar, feito uma fêmea delicada e tola.

— Está vendo minhas condições? Não tenho como agradar o Supremo assim. E, nesses dias, vou parir. Ele não pode ficar sem assistência, não é mesmo?

Eu poderia ter exigido, claro. Mas evitar uma briga — e ver a cara de Caspian mudar de cor — foi ainda melhor.

— Kaia é minha! Foi um presente!

Juro que tento ser paciente. Um presente. Uma fêmea.

Passei a mão pela minha barriga enorme, inclinando o corpo só o suficiente para que ele percebesse o estado lamentável do “presente”.

— E então? Devo chamar Adam?

Os dois começaram a discutir. E eu aprendi, na minha primeira gravidez, a jamais me enfiar em brigas de macho. Afastei-me e caminhei em direção a Kaia.

Aproximei-me devagar. Vi o olho bom dela se arregalar, e o roxo tentar acompanhar o movimento.

Receber um pedido de perdão sincero era algo que eu não imaginava. Estava preparada para a aura de falsidade de sempre. Mas algo em mim se comoveu — a loba dela havia feito um pedido à Nara: morte rápida.

Olhei os dois machos ainda discutindo o destino da fêmea. Enquanto eles brigavam entre si, uma das minhas guerreiras já a soltava e a colocava nos braços. Ania, que já estava desconfortável com toda aquela situação, criou uma bolha de proteção e abriu um vórtice dentro dela.

Quando percebeu o que acontecia, Caspian correu e começou a bater indignado no escudo de Ania. A guerreira passou com Kaia. As outras entraram logo atrás. A última foi Ania. Assim que ela atravessou, o vórtice começou a se fechar. A proteção se desfez conforme Ania se distanciava. Caspian foi rápido: enfiou o braço no portal, tentando impedir o fechamento. Ania empurrava de um lado, e Caspian forçava do outro, como uma porta de elevador sendo aberta à força.

Draga!

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