Eliz
Recebi uma chamada de vídeo da Mili, que ainda trabalha no abrigo que montei com a Lívia. Pelo visto, uma fêmea em especial pediu ajuda para entrar, e me peguei pensativa. Nunca questionei se deveria ou não salvar uma fêmea — salvar é o que faço. Mas, na minha condição atual, não posso ser imprudente. Ainda sim...
A fêmea em questão era Kaia.
Depois de pensar por um tempo, decidi que não queria ter a morte dela nas minhas mãos. Afinal, Sinara a ama e cuidou dela. Suspirei ao ver a foto: Kaia com um olho roxo e fechado, os cabelos cortados de qualquer jeito, como se fosse um garoto, toda machucada e suja. Aquilo deveria me fazer regozijar… talvez eu tenha amolecido. Finalmente me decidindo.
— Mili, eu irei pessoalmente resgatar ela.
Os olhos de Mili se arregalaram, surpresa por eu fazer tal coisa. Mas já estava pensando nisso havia dias. Kaia doou anos de vida ao Supremo, e ele sempre dizia que seria injusto desamparar suas antigas fêmeas. Agora eu entendia o porquê. Eu amo o Adam, mas isso não significa que eu gostaria que Leon morresse. Kaia foi mimada e não soube lidar com a perda, mas não acho que mereça morrer.
Hoje, com a maturidade que tenho, percebo que se eu tivesse anunciado de uma vez que ele era meu companheiro, minha vida não teria sido esse caos.
Chamei dez das minhas melhores guerreiras e pedi para Ania vir comigo.
— Eliz, pela Deusa… você vai parir no meio de uma floresta densa e esquecida! Olha o tamanho dessa barriga! — ela reclamou, quase batendo asas de nervoso.
— Kaia vai morrer se eu esperar o Adrian nascer.
As asas da fada murcharam como orelhas de cachorro levando bronca.
— E por que não manda o Supremo fazer isso?
— Porque ele não volta atrás nas palavras como eu.
Falei com um sorriso. Já aceitei quem sou — e todos ao meu redor também. Mudo de ideia como o vento e não tenho vergonha disso. Se recebo uma informação nova, eu reavalio. Se minha opinião muda, mudo junto. A não ser que haja contrato… aí não tem conversa.
Kaia
Agora escuto vozes femininas. Não acredito no que ouço. A fêmea com quem mais aprontei na vida está ali, com uma barriga enorme, discutindo com meu pai e com Caspian.
Pela Deusa… será que Eliz veio terminar o serviço de Caspian?
Um pânico rastejou pelas minhas costas e me urinei de medo. Agora ela era a Loba Suprema. Agora sim, estou perdida.
Quando ela se aproxima, meu coração aperta. Minha loba, derrotada, choraminga:
Peça perdão. Pelos nossos erros. Pelo menos partimos em paz.
— Me perdoa, Eliz — sussurro, sincera. — Tenha piedade… e me mate logo, por favor.
Já não aguento essa agonia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...