Vanessa Bragança
— Ele arqueou a sobrancelha, foi ao outro quarto e voltou com um telefone grande, preto, com uma pequena antena.
— Funciona via satélite. Você tem cinco minutos. Diga que está em um resort sem sinal para espairecer; se não, ele vai querer rastreá‑la e você ficará presa aqui com ele.
Digitei o número do meu pai rapidamente, antes que ele pudesse mudar de ideia. No terceiro toque, ele atendeu.
— Vanessa?
— Pai. — Falei do jeito que Adrian mandou; eu não queria que ele desistisse da vida por minha causa. Disse que precisava de um tempo — talvez um ano sabático.
Quando desliguei, meia hora depois, entreguei o telefone a Adrian a contragosto. Ele saiu com o aparelho; logo depois Vera chegou com uma bandeja cheia de comida, mas Adrian não veio me fazer companhia.
À noite, Vera me trouxe uma pilha de caixas:minhas primeiras encomendas tinham chegado. Comecei a provar as roupas — vestidos colados e brilhantes, com cordinhas nas laterais que deixavam a pele à mostra; shorts jeans curtíssimos, rasgados e desfiados. Ri sozinha diante do espelho.
Ver‑me com aquelas roupas fazia‑me sentir como se uma segunda personalidade tivesse nascido depois que Gabriel Santos me enganou e usou por três anos. Lembrar das surpresas românticas e de como ele manipulou meus desejos mais íntimos me incomodava. Eu lhe entregara a virgindade e atendia a todos os seus desejos. Melhor não pensar nisso, por quê o miserável era muito bom de cama.
Na primeira semana fiquei triste; mas ele não merece minha meu luto. O que eu preciso é resolver o problema de descobrir quem havia colocado Gabriel na minha vida. No dia seguinte levantei cedo e procurei algo útil para fazer.
— Adrian.
Deixei a mansão havia menos de quatro horas; minha mente ia e vinha, presa às curvas deliciosas de Vanessa. Preciso de um tempo dedicado à minha lua, pensei. Quero explicar quem sou antes de deixar minha marca nela. Só de imaginar, meus dentes de guerra já começavam a salivar.
Peguei o celular e disquei para Artemísia.
— Temi?
— Mudou de ideia e resolveu me ajudar, Supremo? — ela provocou, já em tom de brincadeira.
— Já disse que não posso me meter nisso, Temi. — dava para ouvi‑la bufar do outro lado; quase pude ver o revirar dos olhos.
— Então o que você quer?
— Achei minha companheira. Preciso ajudá‑la a resolver um probleminha e... — calquei a voz.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...