Adam
Três lobos estavam ajoelhados na fronteira da matilha do Norte, implorando por perdão.
— Vocês realmente acharam que poderiam invadir meu território, me roubar e sair livres? — minha voz soou baixa, mas cortante. Nenhum dos infelizes ousou responder.
— Vou arrancar a pele de vocês lentamente. Farei uma bandeira e colocarei na entrada da matilha para servir de aviso ao resto do bando. — Olhei para meu beta, que parecia distraído.
— A Luna voltou — ele murmurou.
— Onde ela está?
— Na casa dos pais. Acho que visitando... Me informaram que veio apenas com uma mochila.
Minhas garras se alongaram novamente. Passei-as pelas gargantas dos renegados. O sangue jorrou, manchando minha roupa e pingando nos meus sapatos. Droga.
— Chame os guerreiros. Vou tomar um banho e seguimos para a matilha do Sul.
No caminho, minha mente voltou ao acordo feito por meu pai quando eu ainda era um menino. Eu tinha oito anos quando colocaram uma garotinha enrolada em uma manta no meu colo e me disseram que ela seria minha futura Luna. Meu pai falou sobre a importância do poder ancestral da matilha do Sul. Minha mãe me ensinou que um líder deve conhecer até os detalhes mais íntimos de quem divide sua vida — ela me contava tudo, até o dia de sua primeira menstruação.
Eu não podia falhar com aqueles que me entregavam sua devoção. Meus guerreiros arriscavam suas vidas não só por medo da minha força bruta, mas porque sabiam que minhas decisões eram sempre para o bem das matilhas. O problema é que nunca senti nada fora do comum por Eliz. Apenas o receio de machucar aquela menina esguia e delicada. Mantive minha vida íntima longe dela, até que amadurecesse.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.