Eliz
O almoço foi silenciosamente desconfortável. Eu não sabia o que dizer ao meu pai. Apesar de ele ter me excluído da parte prática da alcateia e me imposto um marido pelo bem da nossa matilha principal, ainda sentia a necessidade de sua aprovação. No fundo, eu ainda acreditava que o havia decepcionado.
Para ele, eu era apenas uma fêmea — e, na cabeça dele, não existia tal coisa como uma alfa suprema mulher. Apenas machos poderiam ocupar esse posto. Assim, tudo que é dele deveria ser entregue aos cuidados de Adam e, depois, passado diretamente a um neto, caso ele morresse. Se não morresse, iria dele para o neto da mesma forma.
E eu? O que eu era? Apenas uma boneca inútil na visão dele?
Meu garfo empurrava uma única ervilha de um lado para o outro no prato. Os pensamentos me corroíam enquanto eu continuava brincando com aquela pequena esfera verde.
— Sua loba é muito bonita, minha filha. Parece ser muito forte também.
— Hum-hum… Sim. Obrigada, pai.
— Ela é filha de dois lobos muito fortes, querido. Nossa filha só poderia ser uma Luna poderosa — disse minha mãe, tentando suavizar o clima.
Eu conseguia ver o fio dourado ligando o braço do meu pai ao da minha mãe. Ele estava enfraquecido. Será que isso também tinha sido culpa minha? Eu precisava fortalecê-lo de novo.
— Poderíamos ter uma corrida de pai e filha — sugeri, com um meio sorriso hesitante, tentando me aproximar dele. — Se o senhor estiver disponível, claro.
— Vamos, sim! E vamos marcar uma reunião no conselho para revogar a ordem que você colocou contra mim, impedindo o Supremo de chegar perto de você também? — disse, olhando para o prato como se fosse assassinar o bife mais uma vez.
— Vamos sim, paizinho. Com certeza — respondi no meu melhor tom meigo e submisso, o mesmo que usava antes de deixar a matilha. Olhei para ele com a mais pura inocência.
— Então vamos fingir que os seis anos que se passaram não existiram? — ele finalmente me encarou, intrigado.
— Por mim, sim. Afinal, como o senhor deve ter percebido, eu gostaria de ter escolhido meu próprio marido. — Tomei fôlego e bebi um gole do meu suco. — Mas hoje consigo enxergar que ficar entre a sua obrigação com a matilha e comigo não deve ter sido fácil.
Notei uma ponta de orgulho no olhar dele.
— Vamos correr pra ver do que sua loba é capaz, então.
Dei um pequeno sorriso interno. Minha loba, Nara, estava pronta para surpreendê-lo.


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