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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 194

Liliane

O vexame histórico da minha vida insistia em não desaparecer. Para piorar, ainda me mandava lembranças.

Uma fêmea de nariz empinado e roupas elegantíssimas — do tipo que só vemos no cinema — acabara de invadir minha sala, acompanhada por algumas ajudantes que puxavam araras cheias de vestidos.

— Acho que a senhora errou o endereço.

Ela fez um gesto vago no ar com as mãos.

— Querida, em mais de vinte anos vestindo as lobas deste reino, nunca me enganei quanto a um endereço. Foi o Alfa Aquiles quem me enviou. Eu cuido da vestimenta da família do Supremo antes de Luna Eliz se tornar a Luna Suprema.

Ela falava enquanto seus olhos me avaliavam como um soldado prestes a entrar em guerra, estudando o alvo com precisão.

Eu vestia minha roupa habitual de trabalho: camisa clara e calça jeans.

— Tire isso e fique apenas com a roupa de baixo. Aliás, tire o sutiã também.

Olhei, atônita, para as araras.

— Me desculpe, acontece que estou saindo para o trabalho agora, senhora…?

A decepção passou rapidamente por seu olhar.

— Mika. Você não é daqui, é?

— Não. Sou da alcateia oriental, sou professora aqui. Prazer em conhecê-la, senhora Mika, mas realmente estou me atrasando.

Ela soltou algumas risadinhas.

— Eu deveria ter reparado. Esses olhos puxados, essa pele de porcelana, esse porte esguio…

Além de me ignorar, o jeito como ela falava, me rodeando, fez minhas bochechas esquentarem de vergonha.

— Pode me chamar apenas de Mika. Tenho ordens para deixá-la linda para o casamento do Alfa Supremo Adrian. Ordens do Alfa Aquiles.

Ela pegou um vestido, colocou à minha frente, avaliou por um segundo e o descartou, atirando-o para uma ajudante. Fez isso com mais alguns rapidamente, descartando como opção.

— E você sabe… quando um Alfa quer alguma coisa — ou alguém — nada o impede.

Eu sabia. Só não acreditava, de verdade, que o Alfa me quisesse. Que lobo permitiria que uma fêmea passasse por um mini cio e não a reivindicasse? Talvez ele quisesse apenas passar o tempo. Só isso.

— Liliane?— eu tinha me perdido em meus pensamentos.

— Tudo bem… eu vou tirar a roupa.

Voltei cobrindo os seios com as mãos, envergonhada. Nunca tive a sensação de ter quase dez fêmeas me servindo ao mesmo tempo. Minha sala mal comportava todas. Ainda assim, admirei o jeito sincronizado com que se moviam, como peixinhos perfeitamente alinhados.

— Você gosta deste? — perguntou Mika, erguendo um vestido azul da mesma cor dos olhos de Aquiles.

Eu via exatamente onde ela queria chegar: eu seria vista como dele. A cor era realmente linda e se destacava na minha pele alva. O tecido de seda era magnificamente delicado, as alças tão finas que mal apareciam; sustentavam e enfeitavam ao mesmo tempo. Nas costas, o decote ia até o limite do aceitável, e duas cordinhas finas seguiam sustentando o vestido nas omoplatas, pendendo soltas até abaixo do meio das minhas costas.

Imaginei a mão de Aquiles puxando uma delas, fazendo a peça leve e fluida deslizar pelo meu corpo.

bônus 54 Vestida para ele. 1

bônus 54 Vestida para ele. 2

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