Liliane
O vexame histórico da minha vida insistia em não desaparecer. Para piorar, ainda me mandava lembranças.
Uma fêmea de nariz empinado e roupas elegantíssimas — do tipo que só vemos no cinema — acabara de invadir minha sala, acompanhada por algumas ajudantes que puxavam araras cheias de vestidos.
— Acho que a senhora errou o endereço.
Ela fez um gesto vago no ar com as mãos.
— Querida, em mais de vinte anos vestindo as lobas deste reino, nunca me enganei quanto a um endereço. Foi o Alfa Aquiles quem me enviou. Eu cuido da vestimenta da família do Supremo antes de Luna Eliz se tornar a Luna Suprema.
Ela falava enquanto seus olhos me avaliavam como um soldado prestes a entrar em guerra, estudando o alvo com precisão.
Eu vestia minha roupa habitual de trabalho: camisa clara e calça jeans.
— Tire isso e fique apenas com a roupa de baixo. Aliás, tire o sutiã também.
Olhei, atônita, para as araras.
— Me desculpe, acontece que estou saindo para o trabalho agora, senhora…?
A decepção passou rapidamente por seu olhar.
— Mika. Você não é daqui, é?
— Não. Sou da alcateia oriental, sou professora aqui. Prazer em conhecê-la, senhora Mika, mas realmente estou me atrasando.
Ela soltou algumas risadinhas.
— Eu deveria ter reparado. Esses olhos puxados, essa pele de porcelana, esse porte esguio…
Além de me ignorar, o jeito como ela falava, me rodeando, fez minhas bochechas esquentarem de vergonha.
— Pode me chamar apenas de Mika. Tenho ordens para deixá-la linda para o casamento do Alfa Supremo Adrian. Ordens do Alfa Aquiles.
Ela pegou um vestido, colocou à minha frente, avaliou por um segundo e o descartou, atirando-o para uma ajudante. Fez isso com mais alguns rapidamente, descartando como opção.
— E você sabe… quando um Alfa quer alguma coisa — ou alguém — nada o impede.
Eu sabia. Só não acreditava, de verdade, que o Alfa me quisesse. Que lobo permitiria que uma fêmea passasse por um mini cio e não a reivindicasse? Talvez ele quisesse apenas passar o tempo. Só isso.
— Liliane?— eu tinha me perdido em meus pensamentos.
— Tudo bem… eu vou tirar a roupa.
Voltei cobrindo os seios com as mãos, envergonhada. Nunca tive a sensação de ter quase dez fêmeas me servindo ao mesmo tempo. Minha sala mal comportava todas. Ainda assim, admirei o jeito sincronizado com que se moviam, como peixinhos perfeitamente alinhados.
— Você gosta deste? — perguntou Mika, erguendo um vestido azul da mesma cor dos olhos de Aquiles.
Eu via exatamente onde ela queria chegar: eu seria vista como dele. A cor era realmente linda e se destacava na minha pele alva. O tecido de seda era magnificamente delicado, as alças tão finas que mal apareciam; sustentavam e enfeitavam ao mesmo tempo. Nas costas, o decote ia até o limite do aceitável, e duas cordinhas finas seguiam sustentando o vestido nas omoplatas, pendendo soltas até abaixo do meio das minhas costas.
Imaginei a mão de Aquiles puxando uma delas, fazendo a peça leve e fluida deslizar pelo meu corpo.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...