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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 195

Artemísia

Me encaro no espelho e ajeito a manga do blazer azul-marinho, justo nos pontos certos. O corte impecável do tecido me dá uma aparência sofisticada; quero parecer profissional, transmitir poder e elegância.

Coloco um colar fino de prata e um par de brincos pequenos, incrustados com um diamante discreto. A joia em si não tem grande valor financeiro, mas a mensagem que passa é clara: a maioria dos lobos nem conseguiria tocar. Confesso que incomoda um pouco — minha loba fica o tempo todo tentando recuperar a pele — mas o efeito vale.

Minha loba parece satisfeita; lambe os dentes como se se preparasse para a guerra. Completo o visual com um coque baixo. Não gosto de maquiagem, mas, como nas tradições indígenas, as fêmeas sempre se pintam quando vão à guerra, não é mesmo?

— Huum.

Felipe passa por mim, admirando-me. O braço dele envolve minha cintura e seguimos juntos pelo corredor.

— As fêmeas de Garras de Gelo vão ficar ofuscadas pela sua beleza hoje.

— Hoje minha reunião não será com as fêmeas, Felipe.

Ele se afasta e meu corpo sente a perda; tento disfarçar.

— Hoje conversarei com os machos — continuo, caminhando pelo corredor.

Ele para por um segundo, depois me segue. Já não é apenas Felipe, meu companheiro e beta ali.

— Não aconselho que faça isso. Você chegou há pouco; eles precisam conhecê-la primeiro.

Viro-me, incrédula.

— Eles precisam me conhecer? Eu não conheço você direito e, mesmo assim, você anda se enfiando na minha cama noites seguidas.

— O que quer dizer com isso, Artemísia? Vai jogar nossa intimidade na minha cara agora?

Viro-me e sigo até a mesa do café. Antes que eu me sente, ele puxa minha mão e me obriga a encará-lo.

— Estou dizendo que sei das minhas responsabilidades.

Não queria terminar aquela resposta na frente do avô. Felipe solta meu braço. O olhar dele escurece; esse não é um lobo acostumado a receber ordens.

— Você não passa de uma filhote mimada pela sua família. Esta é a maior matilha do reino dos lobisomens e viveu bem sem você até hoje.

Meu avô está sentado à cabeceira da mesa; eu me sento do lado oposto, para não ficar perto de Felipe.

— Se você esperou me trancar no alto da torre e me usar apenas como enfeite da sua cama, sinto muito — digo. — Não vai acontecer.

— Acha mesmo que vão ouvi-la? Aqui governa a lei do mais forte.

— Vocês podem parar com isso? — meu avô tenta acalmar os ânimos. Tanto eu quanto Felipe rosna­mos diante da sua intervenção.

Ele levanta os braços num gesto de rendição.

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