Vanessa Bragança
Todas as mulheres da minha família estavam ali — inclusive a lambisgoia descarada da minha prima, que pediu desculpas jurando arrependimento, dizendo que eu ia embora e que não deveríamos ficar afastadas. Não acreditei em uma palavra, mas não queria estragar a noite brigando. Deixei-a ficar. Carla, minha melhor amiga, revirou os olhos do outro lado do cômodo.
Taças de champagne eram servidas enquanto as mulheres recebiam mimos do spa: tratamentos para a pele, cabelos, unhas, massagens relaxantes com os melhores profissionais. Contratei uma banda que tocava minhas músicas favoritas.
— Senhora, temos um pequeno problema — disse alguém. — Poderia vir comigo, por favor?
— Claro. — Eu tinha certeza de ter planejado tudo nos mínimos detalhes. Contratei esse pessoal justamente para evitar qualquer imprevisto; paguei um valor absurdo para ter perfeição.
Uma mulher me aguardava na sala. Eu estava com um roupão do spa, toalha enrolada nos cabelos e chinelos.
— Você é a companheira do Adrian? — ela me avaliou; só os lobisomens chamavam “companheira” com aquela devoção, como se venerassem a palavra.
— Sim. — Só me faltava agora aparecer uma mulher dizendo ser amante dele. Meu sangue esquentou e eu a avaliei dos pés à cabeça: corpo esbelto, traços delicados. Comecei a me encolher; como eu concorreria com uma loba? Seus cabelos, longos até a cintura, não tinham um defeito sequer em seu ruivo. — E você, quem é?
— Meu nome é Eliz. Sou a mãe de Adrian. Serei sua sogra. — Ela sorriu.
Respirei aliviada e me sentei em uma das poltronas. Não quiz ser deselegante, apenas minhas pernas não respondiam do susto.
— Prazer, Eliz. Mas poderia ter participado da festa como todas. Por que está escondida aqui?
— Tenho meus motivos, mas queria conhecê-la antes da celebração amanhã. Quero lhe entregar algo. — Ela colocou uma caixa de veludo sobre a mesa e a empurrou com delicadeza na minha direção. — Este conjunto de joias é a peça que a Luna passa para sua nora; demonstra que a escolhida é aceita e querida pela família e pela alcateia. Se puder usá-lo amanhã no casamento, terá um valor inestimável para o Adrian como Líder Supremo e para você como Luna. Desejo que sejam felizes.
A fala dela era calma, mas notei um nervosismo contido. Ela se levantou; eu a segurei pelo pulso.
— Não pretende vir amanhã? — perguntei.
Eliz inclinou a cabeça e os olhos marejaram.
— Tenho algumas pendências com meus outros filhos que ainda não estou disposta a resolver, Luna Vanessa.
Ela se virou. Levantei-me e a segurei novamente.
— Escute... minha mãe faleceu há três anos. Ficariam dois lugares maternos vazios no altar. — A minha voz embotou. — Sei que devo parecer chorona, mas realmente ficaria um buraco no peito, os dois lugares vazios... Por favor...
***Artemísia
Eu já estava vestida: calça preta, camisa de manga longa gola role branca, cinto bem marcado com fivela dourada. Felipe ia à minha frente, olhos fechados e cabeça jogada para trás. a poltrona do jatinho. Meu coração andava aos pulos. O que eu diria à minha mãe se a visse? “Oi, fui infantil e idiota” ou “Odiei que você fez um contrato que me impossibilita de correr atrás do meu amor de infância”?
— Você quer parar de levantar essa maldita barreira mental enquanto envia ondas e mais ondas de raiva, tristeza e ansiedade? Estou com dor de cabeça há dias. — Felipe falou sem se mexer.
— Baixar minha barreira mental não vai mudar o que sinto — resmunguei. — Só pare de tentar derrubá-la o tempo todo e a sua cabeça vai parar de doer.
Ele abriu as pernas em uma pose relaxada. Eu me peguei observando o corpo másculo, os braços fortes, a mandíbula marcada.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...