Adrian
Eu levaria minha fêmea a qualquer consulta. Afinal de contas, ela é minha; manter sua segurança é minha prioridade. Nunca tinha visto aquele curandeiro antes, e isso por si só já me deixava alerta.
O homem nos observava sem surpresa alguma. Provavelmente eu não era o único macho que acompanhava a companheira em uma consulta.
— Doutor, quero que me explique como seria a gravidez de uma humana com um lobisomem. Quais são os riscos?
Não gostei do ar preocupado da minha fêmea.
Olhei para o condenado do curandeiro, deixando claro que ele deveria medir muito bem as palavras. Não era para dizer nada que a assustasse ; ou eu mesmo daria um nó naquela língua insolente. O infeliz desviou o olhar.
— Bom… pela grande maioria dos casais híbridos que acompanhei, normalmente o feto puxa ao mais forte dos pais, que provavelmente aqui é o pai. O tempo de gestação pode ser diferente do das humanas. Os lobos nascem com seis meses. Então se preparem para isso. Caso ultrapasse esse período, avaliaremos a necessidade de uma cesárea ou aguardaremos um parto natural, de acordo com o desenvolvimento do filhote.
Também serão necessários os cuidados básicos de qualquer gestação humana: vitaminas, exames pré-natais… — ele me olhou diretamente. — Em alguns casos, a mãe pode ser mais frágil para o filhote, aumentando a pressão no final da gestação, causando algo chamado pré-eclâmpsia. No caso dela, poderia ser agravado. A gravidez precisa ser tranquila, sem grandes esforços físicos.
Vi Vanessa enrijecer.
Para que esse idiota falou isso na frente dela? Se fosse da minha alcateia e tivesse elo mental comigo, eu o xingaria até a sétima geração.
— Obrigada pela sinceridade, doutor — ela respondeu, lançando-me um olhar repreensivo.
— Há quanto tempo vêm se deitando?
— Para que isso lhe interessa? — rosnei. Que enxerido.
— Adrian, ou fica calado ou sai do quarto agora mesmo.
Rosnei baixo. O curandeiro se encolheu; Vanessa revirou os olhos. Essa fêmea estava ficando atrevida demais.
— Quase um mês, doutor. Mas tomei anticoncepcional por três anos seguidos. Parei há quinze dias. Talvez demore um pouco, mas não temos pressa. Vamos nos divertindo enquanto isso.
O sorriso malicioso e o rosto corado que eu tanto amo.
— Eu consigo me divertir do mesmo jeito com seu ventre cheio, fêmea. Tenho certeza de que você também.
— Adrian! — ela ralhou, como se eu fosse um filhote.
— Seus exames estão em dia? — o curandeiro perguntou.
— Sim. Estou saudável.
— Posso examinar sua Luna? - ele me olhava pedindo permissão. Pelo menos o infeliz tem noção de perigo.
— Ela já disse que os exames estão em dia. Quer tocar na minha fêmea sem necessidade? Ninguém toca o que é meu.
— Pode sim. Se ele quer fazer o exame, deve ter motivo, não é, Adrian?
O curandeiro aguardava minha permissão.
— Sou um lobo maduro e marcado — disse ele, baixando levemente a gola da camisa e mostrando sua marca. Eu já havia sentido o cheiro adocicado de companheira nele. Mas meu lobo andava muito protetor. — Tenho minha companheira e um filhote. Estou sendo profissional, Alfa.
Assenti, a contragosto.
Ele preparou o aparelho. Para meu alívio, não seria nada invasivo. Achei que ele fosse olhar a boceta da minha fêmea.
— Levante a blusa, por favor, Luna.
Ela ergueu o tecido até abaixo dos seios, expondo a pele. O curandeiro espalhou gel em sua barriga e deslizou o aparelho. Em nenhum momento a tocou diretamente.
Movia o transdutor devagar, atento. Parou em um ponto e pressionou levemente. Meu coração acelerou. Olhei para a tela escura, tentando entender aquelas formas indefinidas. Então ele apertou um botão.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...