Liliane
A semana passou voando. E, com ela, tudo o que eu temia finalmente chegou.
Minha união foi anunciada para toda a alcateia.
Meu pai, radiante, convidou todos os amigos ; até aqueles que não víamos há anos. Já minha mãe cuidava de cada detalhe com uma empolgação que me sufocava. Não importava quantas vezes eu dissesse que não estava feliz. Parecia que o desejo da noiva era apenas… um detalhe irrelevante.
Uma loba ajustava meu vestido. Uma modelo sereia, outra deslizava as mãos pelo meu corpo, deixando minha pele luminosa. Outra finalizava meu cabelo e maquiagem com perfeição.
E Lia… Lia permanecia ao meu lado.
Atenta. Presente. Silenciosamente solidária.
Talvez fosse a única que realmente enxergava o meu desespero.
Minha mãe se aproximou e colocou um colar de pérolas em meu pescoço. Reconheci na mesma hora. Meu avô havia presenteado minha avó com ele.
Uma herança de família.
— Você está linda, Liliane.
Respirei fundo, lutando contra o nó na garganta e o risco de borrar a maquiagem.
— Obrigada, mãe.
— Querida, melhora essa expressão… — ela ajeitou meu cabelo com delicadeza. — Está com cara de funeral. As fotos que seus filhos vão ver serão horríveis desse jeito.
Um rosnado quase escapou da minha garganta.
Forcei um sorriso.
Meu pai veio me buscar no horário exato. Ofereceu o braço, e eu o aceitei.
— Estou orgulhoso de você, garota — disse ele, firme. — Fez o certo pela sua família. Pela sua alcateia.
Engoli em seco.
— Só estou cumprindo minha obrigação, pai.
Ele assentiu, satisfeito.
— Espero que seja feliz. Que ele seja o seu destinado… — sua voz suavizou. — E que sua família seja abençoada pela Deusa.
Apesar de tudo, suas palavras me atingiram. Meus olhos marejaram e, ao notar, percebi que os dele também estavam.
— Obrigada, pai — murmurei. — Vamos… antes que eu estrague a maquiagem.
No caminho, vi a cidade das ômegas tomada por carros. O local da cerimônia estava impecável: um pequeno palco decorado com cascatas de rosas brancas e vermelhas.
O gosto de Alaric.
Bonito. Impecável. Perfeito.
Assim como tudo o que eu não sentia.
Um Ancião iniciou a cerimônia. Falava sobre o amor que cresce com o tempo, construído tijolo por tijolo, até se tornar algo forte e inabalável.
Meu coração, no entanto, batia acelerado.
Alaric parecia feliz. De tempos em tempos, me lançava olhares encantados.
Mas, em mim, aquilo não aquecia, como faria se fosse uma fêmea apaixonada.
Gelava.
— Alaric, está de acordo? — perguntou o Ancião.
— Sim.
— Liliane, está de acordo?
Um estrondo ecoou na entrada.
Dois machos foram arremessados para dentro do salão.
E então… ele apareceu.
Aquiles.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...