Liliane
Aquiles abriu a porta do carro e me colocou no banco do passageiro. Tentei me levantar, mas fui contida por outro rosnado alto e furioso, o que me fez ficar imóvel.
Ele fechou a porta, contornou o carro e entrou no lugar do motorista, dando partida imediatamente. Mordi o lábio inferior, nervosa.
— Eu te disse que ficaríamos com nossas lembranças. Não entendeu que era um término?
— Entendi… só não aceitei.
— Faz a volta, Aquiles.
— Quem é ele? Ele te conhece melhor do que eu? Chegou a te tocar… a te fazer sentir algo nesses dias? Já decorou seu corpo como eu?
— Isso não é importante. Ainda dá tempo de me devolver.
— Ele te fez me esquecer por um instante? Fala!
Ele gritou, enlouquecido. Encolhi-me no canto e comecei a chorar novamente. O que seria de mim agora? Sem casa, sem família… e com um lobo que agora me odeia.
O carro, em alta velocidade, seguia por um caminho desconhecido.
Ele pegou o celular e discou.
— Estou enviando minha localização. Envia o helicóptero ao meu encontro.
— Aquiles… minha família… meu pai não vai me perdoar. Por favor…
As lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Ele permaneceu em silêncio, sua aura me esmagando, o rosto fechado como se a estrada fosse um inimigo.
O celular tocou.
— Estou parando.
Ele encostou à beira do caminho, e logo o barulho ensurdecedor das hélices tomou conta do ambiente. Um macho desceu e abriu minha porta para Aquiles, que veio me retirar. Segurei-me no banco.
— Não… não, não!
O outro macho sentou-se no lugar de Aquiles, aguardando para levar o carro.
Aquiles me puxou pelo antebraço, obrigando-me a soltar o banco ao qual eu me prendia como âncora.
— Aquiles, você não é assim!
Ele me arrastou até o helicóptero, pousado no meio da estrada.
— E olha o que eu ganhei, ômega.
Um abafador foi colocado em minha cabeça enquanto Aquiles me prendia com o cinto no banco.
— Liberado! — o outro macho gritou.
Encostei a cabeça e fechei os olhos.
Agora não há mais volta.
Minha família acabou de perder o negócio. Serão malvistos… a família que levou um Alfa para a cidade dos ômegas. Aquela que quebrou um juramento de centenas de anos.
Nem meus pertences eu trouxe.
Será que serei castigada como ele fez com os anciãos?
Ai, deusa Selene… e agora?
O helicóptero desceu, e reconheci a alcateia do Sul.
Aquiles me pegou no colo e me jogou sobre o ombro novamente.
— Eu sei andar, Aquiles! — comecei a me debater.
Alguém abriu a porta. Levantei um pouco o corpo e vi o avô de Aquiles nos observando, curioso.
— Me ajuda!
Vi, de relance, suas sobrancelhas se erguerem, surpresas.
Aquiles subiu as escadas como se eu não pesasse nada e me colocou em um quarto.
Agora… agora eu estava realmente amedrontada.
— Você achou que iria brincar com o demônio em uma despedida de solteira e depois voltaria para o seu ômega certinho? Foi isso? Achou que eu não te faria pagar por me fazer de trouxa, Liliane?
— Eu reconheço… eu poderia ter te avisado antes de ir embora. Mas daí a me raptar já é um pouco demais.
— Você lá sabe o que é “demais” para um lobo como eu?
— Não! E aí mora o problema. Lobos como você fazem o que querem, na hora que querem.
Falei sem pensar.
— Pois é exatamente isso. E o que eu quero, neste exato momento… é você.
Ele me beijou com fome.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...