Liliane
— Pode parecer loucura, mas você não me parece tão abalada por ter sido tirada do seu próprio casamento.
Eu ri e me inclinei, falando baixo para que só ela me ouvisse em meio ao burburinho da praça de alimentação.
— Vanessa, dá até um peso na consciência não estar sofrendo o quanto deveria… mas o calor dos braços do Aquiles é simplesmente irresistível.
— E isso, mesmo sem a sua família, seria suficiente para te fazer feliz?
Ela inclinou a cabeça e me observou com atenção.
— Não, mas assim que eu chegar em casa vou ligar para Temi. Preciso pedir perdão ao meu pai e descobrir o que houve.
O toque da mão de Vanessa na minha foi firme, mas reconfortante, tentando me acalmar.
— Aposto que, se pedir ao Aquiles, ele te ajuda nisso.
— Você acha que ele deixaria suas coisas na Alcateia do Sul só para me ajudar numa briga de família? Ele é um Alfa, Vanessa… talvez não compreenda por ser humana.
— Hum! — ela afastou a mão e se acomodou — Esqueceu que eu também tenho um desses? Adrian foi até o meu pai, fingiu ser humano e até levou uns bons socos só para ele continuar se achando o mais forte. Ser ômega não é pior do que ser humana, Liliane. Pare de se diminuir. E o Aquiles… está completamente apaixonado, sem dúvida.
Ela chamou minha atenção em tom baixo, mas firme, me fazendo refletir. Embora minhas dúvidas e desconfianças permanecessem, me intimidar ou me acovardar não ajudaria em nada.
— Tem certeza que você é humana? Falou cada palavra com um tom de alfa agora mesmo. Desse jeito vou virar sua fã.
Rimos.
— Deve ser a convivência com Adrian. Agora que já sou uma grávida de barriga cheia, vamos comprar suas maquiagens.
Quando acabamos, já era quase noite. Voltamos com o carro abarrotado de sacolas, e minha cabeça, de fato, estava muito mais leve. Eu só não sabia como Aurin me carregaria com tudo aquilo.
Quando entramos, Ajax começou a trazer as sacolas até a sala. Nos deparamos com os machos sentados no sofá. Aquiles a olhou com intensidade suficiente para que eu apertasse as coxas juntas. Não existia, naquela vida, alguém que tivesse esse poder sobre seu corpo como ele.
Mas… seria o amor deles tão forte que ele se rebaixaria a pedir desculpas à sua família?
— Como foram as compras? — ele se aproximou, dando um leve beijo em seus lábios. Segurou sua mão e não soltou nem por um minuto.
Se mantenha firme, Liliane.
— Aurin, Adrian — cumprimentei os dois.
Adrian cumprimentou Vanessa com entusiasmo.
— Seu quarto está arrumado, Aquiles. Tomei a liberdade de trocar a cama por uma de casal para vocês. Caso queiram ficar, serão sempre bem-vindos.
Aquiles agradeceu e levou as sacolas para o quarto. Eu o segui, pois já tinha cansado de bater perna por hoje. Também tinha uma tarefa a cumprir.
Procurei a embalagem da joalheria e o sapato de salto alto preto com sola vermelha, deixando-os de fácil acesso no closet.
Após o banho, saí apenas com a toalha e me olhei no espelho, como Vanessa havia sugerido: só com os saltos e as joias. E se ele me achasse atrevida demais? Uma lingerie talvez melhorasse...
Vesti um conjunto vermelho vivo, somente de renda, sem bojo, deixando minha pele de porcelana ainda mais em contraste.
Por fim, perdi a coragem.
Retirei as joias, a lingerie, o sapato… vesti o pijama de algodão e me deitei de costas para Aquiles, irritada com minha falta de traquejo. Por que, de repente, eu me sentia pequena? E por que não sabia exatamente o que queria?
— Liliane… não podia voltar a ser aquela tagarela novamente?
Exalei o ar, sem saber o que ele realmente desejava de mim.
Me virei de frente para ele e encarei aqueles olhos azuis, lindos e profundos. Procurei algum rastro de dúvida neles antes de perguntar:
— Nos conhecemos há pouco tempo, Aquiles… — ele pousou a mão em minha cintura — eu tinha um compromisso de uma vida inteira. Sei que ficou magoado por eu não te contar, mas… e agora? O que vai ser? Vou ser sua amante? Namorada oficial até sua companheira chegar? Ou apenas um passatempo...
— Não sou um moleque, Liliane. Agora que cruzei essa linha, não tem volta. Você será a Luna do Sul… minha Luna.
Ele puxou meu corpo para perto com facilidade.
— Me odeia um pouco menos agora, coração?
— Eu não te odeio… só tenho algo a pedir. — passei a ponta do dedo pelo contorno de seu rosto.
Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso se insinuando no canto dos lábios.
— Não comprou tudo o que precisava hoje?
— Vanessa disse que ainda faltam algumas coisas… mas não é a isso que me refiro.
Tentei empurrar seu peitoral brincando, mas ele não se moveu.
— Então do que está falando?
— Preciso que me prometa guardar segredo sobre as ômegas de ouro.
O semblante tranquilo vacilou. O sorriso se apagou lentamente.
— As fêmeas de lá são a solução para os problemas dos machos de Garras de Gelo.
— Elas não têm problema algum para resolver. — sentei-me na cama, irritada — nem têm interesse em serem descobertas por alfas que possam subjugá-las.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...