Liliane
Saio da cozinha e volto para o quarto, com o pensamento fixo apenas na carona que está prestes a chegar. Vanessa mandou Aurin me buscar; segundo ela, seria mais rápido assim. Confesso que promete ser interessante… nunca voei com um híbrido antes. A ideia é que, ao chegar lá, iremos juntas às lojas. Ela quer escolher pessoalmente os jogos de berço, lençóis e cortinas para o quarto do filhote e ainda me ajudar a me orientar naquele mundo humano que nunca vi.
Aurin desce pela porta da frente e me encontro sentada nos degraus à sua espera, tamanha é minha ansiedade.
— Pronta, Liliane? — ele pergunta, com um sorriso divertido e um olhar malicioso.
Mostro o cartão que Aquiles me deu, meu passe livre.
— Prontíssima.
Aurin me pega como se eu fosse uma noiva, e sinto um impulso de susto.
— Aaa! — dou um pequeno grito.
Por segurança, seguro-me em seu pescoço e aprecio a vista deslumbrante, a brisa fresca acariciando meus cabelos.
— Não tem medo, Liliane?
— Não. Sempre te vi carregando Temi para lá e para cá. Imaginava como devia ser incrível este passeio.
Sinto a risada dele reverberar pelo corpo.
— Eu estava sendo observado… que interessante. Mas me referia ao castigo que Aquiles lhe dará por estar sem calcinha nos meus braços. Você realmente é corajosa.
— Vocês são lobos, estão cansados de ver nudez por aí. Por que a minha seria diferente? — aponto o óbvio — nem sou tão bonita assim para causar comoção.
— Se você diz… — os olhos dele se voltam para mim com um brilho diferente — …Luna.
— Eu não sou uma Luna.
— E o que é então?
Pensei por um momento.
— Eu não sei.
— Pelo que soube, Aquiles te pegou no altar. Ele não faria isso levianamente, Liliane .- Ele fala tranquilo.
Aterrissamos tão suavemente que mal percebo o momento em que tocamos o chão.
— Obrigada pela carona, Aurin. Até a volta.- desço saltitante, amei voar.
— Fico às ordens. Boas compras para vocês.
Cumprimento Vanessa, que me leva para conhecer o quarto do filhote em montagem.
— Tem dois berços que foram de Aquiles e Artemisia, entalhados por Adam. Posso enviar para você quando estiver esperando seu filho.
Olho para o berço e penso imediatamente em um filhotinho rechonchudo e loirinho ocupando-o.
— Seria muito gentil, uma grande honra, Vanessa.
Saímos de carro rumo ao shopping. Vanessa carregava uma lista interminável de compras, empolgada com cada item. Ajax foi conosco — motorista e, inevitavelmente, carregador de sacolas.
Acabei comprando algumas roupas, um celular de última geração e, bem… sendo filha da deusa, não resisti: lingeries, um relógio elegante e uma coleção de sapatos da última moda.
Lia teria um ataque se me visse aqui.
O pensamento me atinge de repente e traz junto um aperto incômodo no peito.
— Está tudo bem, Liliane?
— Está. Só lembrei da minha irmã.
— Imagino o que você está sentindo… e sei o quanto isso pesa. Já passei por algo parecido com meu pai. Mas, aos poucos, as coisas se acertam. Não é rápido nem fácil… mas acontece. Vai dar certo, você vai ver.
— Obrigada, Vanessa.
— Tenho algo que não resolve os problemas, mas ajuda a esquecer.
Ela me puxa para dentro de uma loja, e meus olhos se prendem à fachada luxuosa.
— Vanessa… eu não entro nem morta. Nem sei por onde começar aí dentro — susurro, envergonhada.
— Confia em mim?
Meu silêncio fez minha dúvida transparecer.
— Agora fiquei magoada — ela brinca.
E me deixo ser arrastada por ela. Era como atravessar para outro mundo.
Meus olhos se abrem empolgados; a luz suave reflete nos vidros, explodindo em pequenos pontos brilhantes de pura perfeição, de todas as cores.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...