Adam
Voltei para a casa da matilha pensando no que o oráculo me disse.
Será que realmente minha Luna tinha se apaixonado por outro lobo?
Eliz cresceu ao meu redor. Que lobo em nossas matilhas poderia ter a força e o poder suficientes para atrair minha fêmea? Se ela tivesse se envolvido com algum dos lobos reais, o próprio rei teria me avisado. Afinal, foi ele o primeiro a me submeter à sua ira quando soube da fuga dela.
Achei graça quando ouvi as fêmeas na cozinha. Minha Luna conversava de igual para igual com elas, enquanto ajudava a arrumar tudo. Eu não costumo me misturar com lobos menores, mas já ouvi falar que algumas fêmeas extravasam suas emoções limpando, colocando a casa em ordem. Não vejo problema nisso. Talvez seja reflexo do treinamento de Luna.
Por enquanto, Igor me atormentava querendo dar um banho nela para poder sentir seu cheiro. Desisti de argumentar com meu lobo; às vezes é mais fácil ceder em algumas guerras.
Tirei a roupa e reparei no olhar dela me medindo. Como assim, nem um sinal dos seus feromônios? Nem um suspiro, ou pele corando. Que fêmea difícil de agradar era essa?
Pensei um pouco. Eu tinha certeza de que meu porte físico era bom. As outras costumavam se jogar em cima de mim, algumas até me enojavam com seus cheiros fortes e enjoativos.
Pulei na água e a chamei. Igor, malicioso, sussurrou em minha mente:
— Temos uma boa oportunidade, faça-a tirar a roupa.
— Huum, nossa fêmea tem o corpo perfeito para nós.
Graças a Selene, um alívio percorreu meu corpo e minha mente. Igor não aceitava fêmea nenhuma. Sempre resmungava que devíamos esperar nossa verdadeira companheira, embora soubesse que esse luxo não seria concedido a nós. No fim, teríamos que aceitar uma escolhida, pelo bem da nossa linhagem e do nosso povo.
Ele ficou furioso com a recusa de Eliz. Tive que contê-lo.
— Devemos forçá-la a se submeter ao nosso poder, até que nosso cheiro esteja em todo o seu corpo e nossa essência vingue em seu ventre.
Ela acompanhou a saída de Eliz com um risinho de canto, e então se abaixou manhosa, fitando minha ereção — fruto do calor de Eliz — lambendo os lábios.
— Kaia, se você ficar entre mim e Eliz, vou enviá-la de volta à matilha do seu pai. Vai ficar trancada em tendas no meio da floresta, como tanto detesta.
— Achei que vocês estivessem no quarto… Vim espairecer um pouco a cabeça. Você sabe que me dói te ver com outras.
— Eliz e eu vamos embora para a minha casa semana que vem. Não terá que nos ver juntos. — falei, vestindo a camisa.
— Acho que estou para entrar em cio… Consegue sentir meu cheiro?
Eu sinto, mas já não me atraí como antes.
— Arrume um lobo que a alivie, Kaia. Eu não estou mais disponível. Não complique ainda mais as coisas para nós. Você sempre soube que eu tinha uma noiva destinada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...