Aquiles
— Então minha irmã interveio e salvou você.
Lisandro soltou o ar, relutando em admitir que até mesmo a jovem Artemísia já o superava em força.
— Sim. Eram muitos renegados, e eu mal conseguia me manter de pé quando ela chegou, destruindo-os.
Ele recostou-se e depois se endireitou, visivelmente desconfortável.
— Imagina só… eu, salvo por uma filhote Alfa, quase da idade do meu filho. Naquele momento, ela me contou que estava procurando a cidade das ômegas. Agradecido, prometi levá-la até lá, contanto que jamais revelasse nossa localização. E agora… minha cidade sendo invadida por alfas. Talvez tivesse sido melhor morrer naquela estrada.
A tristeza na sua voz me tirou do sério.
— Está sugerindo que Liliane está sendo maltratada? Ela é minha vida. E as lobas que deixarem este lugar terão o respeito de uma rainha.
Seus dedos se fecharam lentamente, os nós ficando brancos pela pressão.
— Ela é uma ômega. — Ele disse isso como se a palavra por si só explicasse tudo.
— Minha fêmea veio conosco. Ela é humana — o choque nos olhos dele era evidente — e já carrega meu herdeiro. Você tem minha permissão para falar com ela e garantir que nunca tenha sido maltratada. — ofereceu Adrian.
A oferta pareceu fazê-lo hesitar em seu julgamento.
— Acho que seu povo se isolou aqui e não percebeu a evolução do nosso. As ômegas trabalham onde querem; basta que corram atrás de seus sonhos. Alguns machos as preferem justamente por serem dóceis e amorosas. — expliquei.
— Trouxemos dez machos. Que respeitem os machos daqui; levarão apenas as fêmeas que quiserem acompanhá-los.- Felipe se pronunciou de forma categórica, encerrando qualquer possibilidade de negociação.
Lisandro assentiu levemente com a cabeça.
— Avisarei os machos pela manhã.
— Mas temos um problema com um deles em especial. - Felipe disse.
**Artemísia
Levar Liliane para fazer as pazes com a família era mais uma jogada política do que qualquer outra coisa, embora eu soubesse que ela acabaria aproveitando cada momento. Preferia não encarar o pai dela tão cedo, mas também não podia permitir que machos usassem essa situação como desculpa para barganhar suas filhas.
Mesmo com a fada Ania tendo cuidado do meu corpo, um vazio insistia em permanecer na minha alma. Eu sequer tive coragem de olhar para Felipe. Aliás, o olhar de pena de todos me atingia mais profundamente do que eu queria admitir, rasgando a fachada que eu tentava manter de força e controle, uma ferida interna se abria mas do que eu gostaria de admitir.
— Pai, abre essa porta! — Liliane gritava do lado de fora, enquanto escutávamos o choro baixinho da mãe dela. Meu peito aperta por elas.
— Afaste-se, Liliane.
Perdi a paciência e arrombei a porta, farpas voando para todos os lados. Entrei espalhando minha aura de Alfa; minha loba queria matá-lo, mas ele serviria de exemplo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...