Liliane
Desço na ponta dos pés, fugindo para “assaltar” a geladeira de madrugada. Ao que parece, esse povo tem medo até que eu espirre. E juro: se não comer um brigadeiro maratonando minhas séries, corro risco real de morrer de tédio.
Voltamos da casa de Vanessa em um clima estranho, quase uma guerra silenciosa. Ainda assim, achei tão fofinho ela ter deixado o quarto do Aquiles pronto para nos receber. Minha família está tentando aceitar ele… e eu estou orgulhosa dele ter feito as pazes com Alaric. Segundo Lia, as coisas entre eles tinham se resolvido bem, o que deixou meu coração muito mais leve.
Abro os armários procurando leite condensado, chocolate e manteiga. Jogo tudo na panela e, enquanto mexo, ligo para Lucila.
— Ei, como você está? — a voz dela vem animada.
— Ótima… não tão bem quanto quem está treinando para ser uma guerreira, né, amiga? Perdeu o gosto por cozinhar? Quem vai duelar comigo na cozinha agora?
— Liliane, você sabe que, pra nós, cozinhar é como demonstramos amor… e eu nunca mais quero amar ninguém. Quero dizer, romanticamente.
O brigadeiro começa a engrossar. Despejo em um prato e o cheiro me faz salivar.
— Eu entendo, Lucila. Mas se ele realmente for seu companheiro, acho que não vai ter como fugir disso no futuro.
— Eu juro pela deusa que vou dormir com todos os lycans que eu conseguir nesse meio tempo. O lobo dele vai ter nojo de mim e vai me rejeitar… assim como eu tenho dele.
O jeito como ela fala me arrepia. Mas não sei se isso é ódio mesmo… ou dor.
— Você é muito jovem pra falar assim, Lucila… credo.
— Você fala isso porque o Aquiles só dormiu com você desde que te conheceu. Se ele dormisse com outra e você sentisse tudo, duvido que ainda estaria defendendo ele, Liliane.
Suspiro, desistindo de discutir.
— Tá bem… eu só queria ter certeza. Ah, e mudando de assunto: agora eu e a Temi e a Vanessa somos sócias em um restaurante mega luxuoso. E adivinha quem vai cozinhar?
— Quem? — ela pergunta.
— As ômegas.
Dou uma risadinha animada.
— Tem certeza que não quer trabalhar com a gente?
Falo empolgada, ouvindo o gritinho dela do outro lado.
— Sério?! Parabéns, Liliane! Obrigada por lembrar de mim, viu?
— Você vem?
Cruzo os dedos.
— Não… o Gustavo me acharia fácil demais. Mas desejo toda sorte do mundo pra vocês.
— Obrigada… — digo, um pouco murcha. — Pelo menos vou conhecer uma guerreira caso precise.
Desligo e pego uma colherada de brigadeiro, soprando para esfriar.
Foi quando sinto.
Vanessa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...