Liliane
Olhei ao redor do quarto de cores frias — que seria minha casa pelos próximos meses — com um misto de tédio e resignação. Passei a mão sobre o baixo ventre, buscando coragem por eles.
— Nossos filhotes exigem muita energia. Sozinha, não consigo mantê-los seguros — minha loba me alertou ainda no fim do primeiro mês. Mas eu acreditei que a proximidade com Aquiles e Ania seria suficiente.
— Aqui, trouxe o laptop para você se distrair. Escolha como quer o restaurante, e eu providenciarei tudo ao seu gosto. — Vanessa entrou com o notebook nas mãos e um monte de tecidos para escolhermos a decoração.
Manter minha sanidade mental agora era prioridade. Quatro meses olhando para o teto… eu não morreria da gravidez, mas certamente de tédio e ansiedade.
— E como fica a situação dos ômegas que vão trabalhar lá? — perguntei enquanto me despia e vestia o pijama hospitalar.
— Adrian ficou em um meio-termo: posso contratá-los, mas não posso ir até lá antes que ele conheça tudo sobre eles.
— Bem justo… você está carregando o lobinho dele — comentei, me jogando na maca e colocando o laptop no colo como se fosse meu único bem precioso.
O médico entrou, colheu sangue e aferiu minha pressão, que, graças a Selene, estava ótima.
— Procure não se estressar, Luna — ele disse, observando a mim e Vanessa.
— Pode deixar. Meus filhotes são minha prioridade.
Aquiles
Passei a mão pelo cabelo, tentando organizar o caos dentro de mim. Fui um tolo ao tentar construir uma família sem protegê-la como deveria. No fundo, eu sabia: não podia perdê-la. Não podia falhar com minha companheira.
Se ninguém tinha respostas, eu encontraria. A única opção restante era a bruxa Gladis.
Ania abriu o vórtice, e Adrian e eu atravessamos sem hesitar. Surgimos diante do imponente prédio do Conselho Sobrenatural — o mesmo lugar onde minha mãe um dia serviu ao lado da fada Ania.
“Selene, me ajude a encontrar as palavras certas...”
— Vamos — Adrian me tirou do transe com um olhar firme.
Respirei fundo e assenti.
Seguimos em silêncio pelo corredor até a porta indicada. Batemos, como se fosse uma barreira entre o mundo comum e tudo o que existia além dela.
— Aquiles e Adrian? — perguntou a jovem secretária com um sorriso simpático ao nos ver.
Ela nos conduziu até o escritório de Gladis. Expliquei a situação da minha companheira. Adrian falou sobre sua parceira humana e seus receios.
— Ah, queridos… parece que a família de vocês ainda está em uma odisseia para procriar — disse ela com voz melodiosa, colocando uma xícara de chá diante de cada um de nós.
Engoli em seco.
— Pode nos ajudar? — perguntei, contendo meu lobo inquieto.
— Entendo a preocupação de vocês. Mas não posso me ausentar daqui até que todas deem à luz. Seria imprudente, considerando a quantidade de lobas que atendo diariamente.
Ela fez uma pausa breve.
— Mas posso realizar os partos. Isso, sim, eu posso fazer… e não perderia por nada.
Um sorriso feliz se formou em seu rosto. Se eu não soubesse que ela era uma bruxa, diria que era um anjo.
Ela então colocou em minha mão um colar com três pequenos corações — dois rosas e um azul — e entregou outro a Adrian, com uma pedra rosa brilhante. Não foi preciso dizer mais nada. Ela já sabia o que faríamos.
**Fomos direto ao hospital.
Na recepção, minha mãe e Ania conversavam em voz baixa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...