Artemísia
Quando Jamile chegou à recepção contando que, finalmente, o risco de vida de Liliane tinha diminuído, todos comemoramos. Mas nada me preparou para conhecer meu pequenino sobrinho.
Senti algo tão grande, tão profundo, que parecia que o filhotinho era meu também. Ah, deusa… que fofinho.
Felipe passou as mãos pela minha cintura.
— Já falou com a médica?
— Felipe, eu não tenho nada a ver com isso.
— Ou você não quer que aquele lobo consiga sua companheira?
— Não é isso, Felipe. Pensei que já tivéssemos encerrado esse assunto. É você que eu amo. Você é o meu companheiro.
— Tem certeza que é isso?
— Claro que tenho, seu bobo.
Um sorriso malicioso surgiu no rosto dele, como se estivesse esperando ouvir isso de mim. Malandro.
Quando Jamile entrou na sala para saber do bebê, Felipe saiu, me dando a chance de conversar com ela.
— Jamile… hum… sabe, o Aurin é um macho muito querido no nosso meio…
— Luna, quantos anos você tem? — ela perguntou.
— Vinte.
— Suponho que seu amigo tenha idade parecida com a sua?
Fiquei calada, já imaginando onde ela queria chegar.
— Eu tenho trinta e seis anos — ela disse firme, com expressão de desaprovação, como se estivesse falando de um moleque. — Já sei o que quero. Sou uma ótima profissional na minha área. Você conhece meu currículo.
Ela arqueou a sobrancelha, me lembrando silenciosamente da minha insistência para contratá-la. Só consegui porque ela teria a oportunidade de trabalhar com as ômegas douradas.
— Você me enxerga largando tudo pelo que lutei nesses anos por um garotão?
Mordi o lábio inferior.
— Desculpa. — Levantei as mãos em rendição. — Mas o Aurin é bem maduro para a idade dele…
— Artemísia!
Sua voz soou como a de uma mãe dando bronca em uma filha. Recuei imediatamente, percebendo que estava ultrapassando seus limites.
— Ok, não está mais aqui quem perguntou. Credo!
Ela pinçou o nariz entre o polegar e o indicador.
— Me desculpe, Luna.
— Não, não faça isso. Não quero impor minha autoridade a você. Está certa, é a sua vida pessoal. Me desculpe por me intrometer. Se quiser conversar a qualquer hora, estarei aqui, Jamile.
Ela suspirou.
— Obrigada. Eu entendo que vocês estejam preocupados com o Aurin. Acredite, sinto muito por isso, mas um companheiro não faz parte dos meus planos.
Dei um sorriso sem graça.
— Está bem.
A deusa tem senso de humor.
Chorei tanto por Aurin, sem que ele nunca me notasse. Agora ele tem uma companheira… que nem quer saber dele.
***Jamile
Peguei minha prancheta para verificar a fada, que já devia estar bem para receber alta.
No corredor, senti meu coração acelerar e minhas mãos gelarem. O puxão, que não deveria acontecer, aconteceu. Ele insistia em não me dar a rejeição necessária.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...