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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 294

Aquiles

O silêncio deixado pela ausência do meu lobo é, estranhamente, reconfortante.

Eu sei exatamente onde ele está.

O dia se foi. A madrugada chegou.

Sigo para a sala pediátrica com Vanessa, que não faz outra coisa além de tirar leite desde que chegou aqui. Minha mãe,Temi e Ania continuam cuidando das duas filhotes saudáveis. Eu permaneço ao lado do pediatra, observando Ragnar e a pequena; que, que ao menos agora consegue respirar sozinha.

Mas algo novo foi sugerido.

Estou sentado em uma poltrona, sem camisa, enquanto o pediatra posiciona Ragnar e a pequena sobre o meu peito, buscando aquecê-los. Depois, os envolve cuidadosamente, deixando-os colados à minha pele.

Quase prendo a respiração.

Posso sentir.

A energia flui do meu corpo para o deles ; exatamente como acontecia com Liliane.

Fico ali, imóvel, impactado, olhando aqueles dois pequenos guerreiros.

Ragnar abre a boca e começa a chorar.

Vanessa se levanta imediatamente, alarmada. O pega do meu colo e, ao invés de oferecer a mamadeira, o leva direto ao seio. Ela o embala com delicadeza, cantarolando baixo — exatamente como fazia com Axel, seu filho.

O pediatra observa com aprovação.

Ragnar se agarra com força, sugando com vontade. Provando que já está forte.

Adrian, sentado ao lado dela, acompanha tudo em silêncio, mas seu olhar encontra o meu, carregado de expectativa.

— Deixe ela — digo pelo elo. — Ela está exausta. Além de cuidar do Axel, passou o dia inteiro tirando leite para os meus filhotes.

A verdade é que aquilo é mais do que ajuda. É amor.

Um amor imenso.

Eu jamais me incomodaria. E, conhecendo Liliane… ela nunca se oporia a nada que tornasse seus filhotes mais fortes e saudáveis.

Quando Ragnar termina, Vanessa o devolve, satisfeito. Seus olhos encontram os meus, pedindo permissão.

Eu assinto.

Ela então pega a pequena.

Com ela é mais difícil.

Vanessa tenta, com cuidado, estimular a sucção, guiando o seio até sua boca. O pediatra se aproxima para ajudar, eles ajustam várias vezes a posição.

Por um instante que parece longo demais…

Nada.

Então, finalmente.

A pequena começa a se alimentar.

O alívio percorre meu corpo como um choque silencioso.

E, durante todo esse tempo, eu sinto.

A presença de Gustavo.

A energia dele me rodeia.

— Por que não entra de uma vez e vem conhecer seus bisnetos? — digo, sem precisar olhar.

Não demora.

Ele aparece.

Seus olhos pousam em Ragnar sobre o meu peito, e há orgulho ali. Uma satisfação no sorriso dele me aquece.

— Por que demorou tanto? — pergunto.

Gustavo solta um suspiro curto.

— Odeio hospitais… — sua voz sai baixa. — Eles não me trazem boas recordações. E… eu não sei consolar ninguém. Perder alguém é uma dor que se carrega para sempre.

Meu maxilar trava.

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