Aquiles
O silêncio deixado pela ausência do meu lobo é, estranhamente, reconfortante.
Eu sei exatamente onde ele está.
O dia se foi. A madrugada chegou.
Sigo para a sala pediátrica com Vanessa, que não faz outra coisa além de tirar leite desde que chegou aqui. Minha mãe,Temi e Ania continuam cuidando das duas filhotes saudáveis. Eu permaneço ao lado do pediatra, observando Ragnar e a pequena; que, que ao menos agora consegue respirar sozinha.
Mas algo novo foi sugerido.
Estou sentado em uma poltrona, sem camisa, enquanto o pediatra posiciona Ragnar e a pequena sobre o meu peito, buscando aquecê-los. Depois, os envolve cuidadosamente, deixando-os colados à minha pele.
Quase prendo a respiração.
Posso sentir.
A energia flui do meu corpo para o deles ; exatamente como acontecia com Liliane.
Fico ali, imóvel, impactado, olhando aqueles dois pequenos guerreiros.
Ragnar abre a boca e começa a chorar.
Vanessa se levanta imediatamente, alarmada. O pega do meu colo e, ao invés de oferecer a mamadeira, o leva direto ao seio. Ela o embala com delicadeza, cantarolando baixo — exatamente como fazia com Axel, seu filho.
O pediatra observa com aprovação.
Ragnar se agarra com força, sugando com vontade. Provando que já está forte.
Adrian, sentado ao lado dela, acompanha tudo em silêncio, mas seu olhar encontra o meu, carregado de expectativa.
— Deixe ela — digo pelo elo. — Ela está exausta. Além de cuidar do Axel, passou o dia inteiro tirando leite para os meus filhotes.
A verdade é que aquilo é mais do que ajuda. É amor.
Um amor imenso.
Eu jamais me incomodaria. E, conhecendo Liliane… ela nunca se oporia a nada que tornasse seus filhotes mais fortes e saudáveis.
Quando Ragnar termina, Vanessa o devolve, satisfeito. Seus olhos encontram os meus, pedindo permissão.
Eu assinto.
Ela então pega a pequena.
Com ela é mais difícil.
Vanessa tenta, com cuidado, estimular a sucção, guiando o seio até sua boca. O pediatra se aproxima para ajudar, eles ajustam várias vezes a posição.
Por um instante que parece longo demais…
Nada.
Então, finalmente.
A pequena começa a se alimentar.
O alívio percorre meu corpo como um choque silencioso.
E, durante todo esse tempo, eu sinto.
A presença de Gustavo.
A energia dele me rodeia.
— Por que não entra de uma vez e vem conhecer seus bisnetos? — digo, sem precisar olhar.
Não demora.
Ele aparece.
Seus olhos pousam em Ragnar sobre o meu peito, e há orgulho ali. Uma satisfação no sorriso dele me aquece.
— Por que demorou tanto? — pergunto.
Gustavo solta um suspiro curto.
— Odeio hospitais… — sua voz sai baixa. — Eles não me trazem boas recordações. E… eu não sei consolar ninguém. Perder alguém é uma dor que se carrega para sempre.
Meu maxilar trava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...