Jamile
Aurin anda pelo hospital como se fosse dono do lugar, e as enfermeiras o encaram como se ele fosse um monumento público; sem pudor algum. Só faltam se jogar.
— Aurin, o que você quer?
— Por que está de mau humor? Algum paciente crítico?
Seguro o rosnado diante da expressão inocente que ele faz. E nunca sei quando é de verdade e quando estou sendo manipulada.
Respiro fundo e solto o ar devagar.
— Eu estava em um voo. Passei só para te ver, mas já estou indo. Não quero atrapalhar.
Ele dá as costas, e eu observo ao redor: várias fêmeas praticamente babando naquele corpo maravilhoso.
— Está olhando o quê? — falo, irritada, com a recepcionista.
— Não estamos vendo nenhuma mordida nele ou em você, então me deixa. Olhar não arranca pedaço.
A petulante responde sem tirar os olhos do traseiro de Aurin.
A raiva e um início de ataque de pânico quase me consomem. Mas não é só ciúme… é essa mudança hormonal. O pior é que não sei o que fazer nem o que dizer diante disso.
Quando a outra plantonista chega, arrumo minhas coisas. Aurin já me espera para me levar. Engulo em seco, sem saber como contar. Eu tinha estabelecido limites… não entendo como falhei. Tomei todas as porções nos dias e horários certos.
Aurin está no banho. Ele trouxe algumas roupas e objetos pessoais para minha casa, e, aos poucos, o espaço já está cheio de coisas dele.
Sento na beira da cama.
Eu não tenho o direito de esconder isso.
Mas também não sei se estou preparada.
Meu coração dispara. A respiração falha. Uma crise de pânico me atinge.
— Jamile? Tudo bem?
Ele se senta ao meu lado, com aquele jeito preocupado que só me deixa ainda mais confusa.
Na última gravidez, um lobo da minha idade alegou que me traiu porque eu tinha ficado feia e não acompanhava o ritmo dele na cama no final da gestação.
Imagina o que um garoto dezesseis anos mais novo fará comigo?
— Aurin… acho melhor darmos um tempo.
Minha loba choraminga dentro de mim.
— Como assim? O que eu fiz de errado? Foi porque eu fui ao hospital sem camisa? Eu só queria te provocar um pouco… não é tão sério.
— Não é isso. — vê-lo se culpar só piora tudo.
— Eu invadi seu espaço? Posso levar minhas coisas… e vir te ver uma ou duas vezes por semana, se preferir…
O semblante dele entristece, e algo no meu peito aperta dolorido.
— Não é isso…
Sento novamente na cama, abro a gaveta do criado-mudo, pego o teste com resultado positivo e coloco na mão dele.
Ele pisca algumas vezes, encarando o objeto.
— Isso é seu?
Acho que ele entrou em choque.
— Sim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...