Luna Vanessa
— Ele é muito grande para três meses — meu pai dizia pela terceira vez.
— Olha o seu tamanho e o do Adrian… seria estranho se ele nascesse pequeno.
— E deveriam ter dado um jeito de trazer meu neto antes, já que vivem viajando — ele olhou para Adrian.
— O senhor viu que minha cunhada teve quatro bebês e a Vanessa ajudou a amamentar. Eles são prematuros, não tinha como trazer o Axel antes…
Eu ficava encantada com a forma como ele falava com meu pai. Nem com o próprio pai ele baixava tanto o tom.
— Está bem… também tenho novidades para vocês.
Ele tirou o celular do bolso e me mostrou a foto de uma bela mulher.
— Vou me casar novamente.
— Uau — Adrian fingiu surpresa, mas eu sabia que ele mantinha meu pai sob vigilância.
Meu pai me olhou um pouco sem jeito, aguardando minha reação.
— Isso é maravilhoso, pai — meus olhos se encheram de lágrimas — ficarei bem mais tranquila sabendo que tem alguém ao seu lado.
— Obrigado, minha filha.
Nos abraçamos.
Ele ficou ali, olhando encantado para o Axel por um bom tempo.
Adrian nos observava com um sorriso discreto.
— Venham… é um abraço coletivo.
— Eu? — Adrian perguntou, sem acreditar.
— Vem aqui, rapaz. Anda.
Quando ele chegou, meu pai o puxou para o abraço.
Adrian ficou completamente vermelho, como um pimentão, diante do abraço apertado do meu pai.
***
Naquela noite, deixamos os filhotes com Ania e Eliz, porque a grande inauguração do Liliane Gastronomia Criativa nos aguardava.
Adrian estava tão lindo, com o olhar sempre me procurando, que eu mal conseguia conter a vontade de contar a novidade: eu esperava outro filho dele.
— Vai babar no meu irmão a noite toda, é? Já contou a ele? — Temi perguntou com um sorriso radiante.
— Não… estou esperando a Liliane chamar no palco — encostei minha mão em seu braço. Ela estava gelada de ansiedade.
Liliane, no palco, agradecia a presença de todos:
— Agradeço às minhas cunhadas, ao meu marido e a todos os funcionários que fazem parte da nossa equipe. Desejo que aqui seja um lugar de criar laços e memórias. E para abrir com chave de ouro, quero chamar meu cunhado Adrian até o centro do salão.
Adrian ficou visivelmente surpreso; e poucas coisas o surpreendiam.
Eu fui até o centro do salão e o encontrei com uma caixa de veludo preta na palma da mão, como se fosse uma joia.
Ele estreitou os olhos e abriu a caixa.
Dentro havia um par de sapatinhos amarelos.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele me girou no ar pelo salão, sorrindo largo.
— Eu te amo, Vanessa.
— Eu te amo, Adrian.
(E sim… depois disso, vocês já sabem o que aconteceu naquela noite. Digamos apenas que ninguém dormiu cedo.)
***Artemísia

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...