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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 31

Eliz

— Pai? — pergunto ao vê-lo se levantar e fechar a porta.

As portas dos lobisomens são completamente à prova de som. Quando se fecham, já se sabe: conversa sigilosa.

— Desde quando sabe disso? — O tom de Alfa não me permitiu mentir. Era a primeira vez que ele o usava comigo, mas ele é meu Alfa, e nem tentando eu conseguiria enganar.

— Desde que fui embora. — As palavras saíram arrancadas, como se tivesse engolido pedras.

Ele se recostou na cadeira, braços firmes, olhar que me repreendia. Senti como se tivesse voltado para a cadeira da diretora quando ainda era filhote.

— Pai... — minha voz soou como súplica por perdão.

— Eliz, não precisa dizer mais nada. Agora finalmente entendi o motivo dessa confusão.

— Entendeu? — fui pega de surpresa. Brinquei com um fiapo invisível na roupa e inclinei a cabeça, sem entender. — Como assim?

— Uma loba escolhida ficaria decepcionada, mas prezaria pelo poder e status. Já uma destinada... só enxerga o escolhido. O mundo dela orbita ao redor dele.

— Eu não faço isso! — protestei.

— Mesmo? — ele riu.

— Mesmo. — falei séria.

Ele respirou fundo, como quem explica algo óbvio a uma criança mimada.

— Então não terá problema quando ele arrumar outras fêmeas. Porque sem o vínculo de companheiros, uma hora vai acontecer. Também não terá problema quando ele trouxer os filhotes dessas parideiras para você criar. Você sabe: a matilha exige que a Luna eduque os filhotes. Caso contrário, a criança não é aceita, cresce rejeitada, marcada para sempre. Você rejeitaria um filhote, Eliz?

As palavras calmas me chicotearam mais do que se ele tivesse gritado. O ar que eu segurava se recusava a sair.

— Você fez o contrato. Tem alguma parte dele que me beneficie?

— Vou te dar uma cópia. — Ele abriu o cofre, fez a cópia e me entregou.

— Eu tenho que ir. Obrigada, pai. — Ele me puxou para um abraço apertado.

— Sei... mas preciso ir antes que me descubram.

— Eu coloco alguns pedaços pra viagem, fadinha. — minha mãe já se apressava, embalada pela empolgação.

— Sua mãe é tão fofinha. Já pensou ela de vovó?

A cena se formou na minha cabeça, e não contive uma risada.

De volta ao quarto, entreguei as porções a Ania para guardar. Não podia arriscar que Kaia mexesse em minhas coisas e me denunciasse.

Nara uivava em minha mente, impaciente para encontrar seu par. Eu suspeitava que ela vinha burlando meu escudo — sua dependência estava forte demais para ter vindo de apenas uma noite.

Então, uma ideia me atravessou.

Me arrumei em um vestido branco. Na frente, a gola subia até o pescoço, inocente como neve. Mas nas costas... o corte descia fundo, revelador. Mantive o colar, a pedra negra contrastando contra o tecido alvo. Soltei os cabelos vermelhos, como uma chama contra a lua. E, por baixo... nada.

Vamos ver até onde vai a lealdade de um Supremo.

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