Eliz
— Pai? — pergunto ao vê-lo se levantar e fechar a porta.
As portas dos lobisomens são completamente à prova de som. Quando se fecham, já se sabe: conversa sigilosa.
— Desde quando sabe disso? — O tom de Alfa não me permitiu mentir. Era a primeira vez que ele o usava comigo, mas ele é meu Alfa, e nem tentando eu conseguiria enganar.
— Desde que fui embora. — As palavras saíram arrancadas, como se tivesse engolido pedras.
Ele se recostou na cadeira, braços firmes, olhar que me repreendia. Senti como se tivesse voltado para a cadeira da diretora quando ainda era filhote.
— Pai... — minha voz soou como súplica por perdão.
— Eliz, não precisa dizer mais nada. Agora finalmente entendi o motivo dessa confusão.
— Entendeu? — fui pega de surpresa. Brinquei com um fiapo invisível na roupa e inclinei a cabeça, sem entender. — Como assim?
— Uma loba escolhida ficaria decepcionada, mas prezaria pelo poder e status. Já uma destinada... só enxerga o escolhido. O mundo dela orbita ao redor dele.
— Eu não faço isso! — protestei.
— Mesmo? — ele riu.
— Mesmo. — falei séria.
Ele respirou fundo, como quem explica algo óbvio a uma criança mimada.
— Então não terá problema quando ele arrumar outras fêmeas. Porque sem o vínculo de companheiros, uma hora vai acontecer. Também não terá problema quando ele trouxer os filhotes dessas parideiras para você criar. Você sabe: a matilha exige que a Luna eduque os filhotes. Caso contrário, a criança não é aceita, cresce rejeitada, marcada para sempre. Você rejeitaria um filhote, Eliz?
As palavras calmas me chicotearam mais do que se ele tivesse gritado. O ar que eu segurava se recusava a sair.
— Você fez o contrato. Tem alguma parte dele que me beneficie?
— Vou te dar uma cópia. — Ele abriu o cofre, fez a cópia e me entregou.
— Eu tenho que ir. Obrigada, pai. — Ele me puxou para um abraço apertado.

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