Adam
De fato, os olhos dela — âmbar claro — deixavam claro que sua loba era quem comandava agora. Meu lobo veio à superfície como um predador saltando sobre a presa, tomando meu corpo e empurrando minha consciência humana para o fundo, de forma tão violenta que me deixou perplexo. Algo raro de acontecer comigo.
— Nara… — sua voz a reverenciava. Igor passou o dorso da mão pelo rosto dela, com suavidade, como quem acaricia uma pétala de rosa.
Ele sabia o nome da loba dela? Desde quando estavam conectados? O safado saiu na minha frente.
— Você me deixou de castigo por muito tempo. Eu não tenho culpa, nem compactuo com as ações desse humano idiota, eu juro. Não vai embora de novo.
Meu lobo quase choramingava. Algo estava errado. Será que ela o enfeitiçou? Já ouvi falar de lobos que sofreram esse tipo de feitiço.
Que merda ele está dizendo? Tento tomar o controle, mas Igor não deixa. Nossa briga interna esgota meu corpo, cada respiração sai difícil.
Através dos olhos dele, percebo o interesse de Nara. Será que Igor conseguiu amansar a fera? Então me recolho, dando a eles o momento de intimidade que parecem precisar.
A ânsia do meu lobo é que ela o toque por vontade própria. E, como se lesse essa necessidade, ela o faz. Suas mãos percorrem nossos braços, queimando minha pele. Sobem até o pescoço e afagam meus cabelos. Eu já teria agarrado e a jogado na cama, mas Igor espera. Paciente. Me frustra.
Ela envolve nosso pescoço com os braços e encosta seus lábios nos nossos. Um toque suave, como se fossemos quebrar. Nenhuma fêmea jamais nos tratou assim. Ou se excitavam loucamente, ou se aterrorizavam. Igor, em contrapartida, apenas a envolve com um abraço delicado pela cintura.
— Igor… — Nara gemeu o nome dele, e faíscas percorreram meu corpo inteiro.
Ela salta em nosso colo, entrelaça as pernas em nós, e sentimos sua intimidade quente, úmida, pulsante. Enquanto desabotoa a camisa, desliza o tecido para o lado e roça as presas em meu pescoço, aspirando meu cheiro.
— Eu juro, Nara.
Meu corpo se prepara, ansioso pelo maior presente que um lobo pode dar: a marca. Mas então vejo seus olhos mudarem de cor. A troca acontece. Eliz puxa Nara de volta. Igor quase chora. Eu sinto toda sua decepção junto.
Ela tenta descer, e Igor a segura firme, estático, dividido entre desejo e tristeza. Será…? Não. Eu saberia se ela fosse nossa companheira.
— Sinto muito, Igor. Não vai acontecer.
Seus olhos verdes, em fúria, contrastavam com a feminilidade úmida que ela não conseguia disfarçar. Tentou se afastar de novo, e Igor cedeu, mas a pressionou contra nossa intimidade, arrancando-lhe uma respiração ofegante.
Como ela soube disso?
— Não farei. — Como eu poderia abrir mão das fêmeas que me acompanham há anos? Abandoná-las seria cruel.
— Se já tem a fêmea que quer, faça dela sua Luna. O que te impede?
— Nossos pais terem feito um contrato? — Cruzei os braços e arqueei a sobrancelha, zombando. Não admitiria que, no fundo, era Igor quem não me permitia.
— Então você só precisa de uma Luna apresentável. — A voz dela baixou, carregada de dor.
A fúria em seus olhos deu lugar a uma tristeza tão profunda que também me atingiu. Igor gemeu de dor dentro de mim.
— Eu cumprirei tudo, Eliz. Você sempre será a primeira. Vai mandar nas fêmeas, terá status, joias. Posso encher sua conta, e se quer filhos, terei apenas com você. Seja razoável.
— Eu devo ser razoável? — sua mão pousou sobre o próprio estômago, os olhos arregalados como se tivesse ouvido um insulto. As bochechas coraram. — Se é tão fácil, me dê o exemplo. Faça uma cláusula em que eu também possa ter outros machos… quando estiver entediada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...