Adam
Eu seguia em direção às celas do subsolo. No final, ficavam os mais perigosos.
Eu tinha um em mente: o Alfa Sádico.
Mas, de repente, um cheiro doce de morangos silvestres cortou o ar.
Aquele aroma não pertencia àquele lugar sombrio.
Meu lobo rugiu dentro de mim:
“Procure Eliz agora. Vincule-se a ela.”
Corri em velocidade máxima, em forma de lobo. Quem me viu pensou que o alojamento estava sendo atacado.
Entrei no quarto, apressado para não encontrar ninguém.
O cheiro ainda estava no ar. Igor esbravejava em minha mente por não conseguir alcançá-la.
— Luna Eliz levou minha fêmea com ela? — Ajax parecia incrédulo.
— Ela não faria mal à sua fêmea, Ajax. — Um vinco surgiu em sua testa. Ele tinha acompanhado minha saga para trazer Eliz de volta. Sentamos lado a lado, tentando pensar em como resolver dessa vez.
— Adam, ela levou minha fêmea destinada
era como se ele tivesse acabado de acordar de um transe. — Eu não vou ficar sem a MINHA companheira porque você não fez o mínimo esforço pra se dar bem com a sua escolhida! Seu egoísta.
Além de meu Beta, Ajax era quase um irmão. Crescemos juntos e salvamos a vida um do outro em várias batalhas. Por isso escutei suas palavras como se viessem de um macho ferido.
— Eu não fiz nada, Ajax. Foi você quem pediu para trazer Eliz até sua fêmea. Esqueceu?
— Sua fêmea deve ter ouvido falar da casa que você quer comprar… e das três parideiras que pretende colocar lá. Por isso fugiu.
Pela deusa… seria isso?
Meu lobo se ouriçou inteiro dentro de mim.
Sentei-me à beira da cama, tenso.
— Eu não quero outras fêmeas, Ajax. — falei, baixando o tom.
Ele me olhou de pé, os olhos estreitos, emanando raiva e tristeza tão intensas que pude sentir o amargor em minha língua.
— O que você quer dizer?
— Eliz é minha destinada.
Ajax se sentou ao meu lado. Sua postura curvada de derrota me fez encolher.
— O que você fez com a gente, cara?
Escoramos ombro a ombro, em silêncio.
Pela deusa… seria isso?
**Eliz
Apertei a pedrinha da pulseira, chamando Ania. Tirei meu colar enfeitiçado. A dor do que eu planejava para fêmea é intensa, mas necessária.
— Rejeite-o.
— Ele não aceita rejeição. — Lágrimas rolavam por seu rosto.
— Ele é seu companheiro há quanto tempo?
Ela me encarou, olhos semicerrados pela luz do vórtice.
— Ele é… meu pai.
Aproveitei sua distração e mordi seu pescoço.
O sangue doce me mostrou o que eu buscava: uma árvore frondosa. Sob suas raízes, uma porta de ferro quadrada, trancada e coberta por folhas e galhos.
Soltei-a, gotas vermelhas caindo na minha camisa branca. Lambi o ferimento, estancando o sangue. Ela levou a mão ao pescoço, confusa.
— Ele não é seu pai. Mas eu vou explicar na volta.
Ania surgiu à porta, mas fiz sinal para que esperasse. Recoloquei o colar e puxei a fêmea comigo. Nós sairíamos dali juntas.
Agora, no abrigo de fêmeas em que eu trabalhava, segurei firme sua mão.
— Eu vou atrás das crianças. Você ficará longe daquele desgraçado.
Por Selene, aquele Alfa me paga.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...