Adam
Ah, se ela soubesse como seu olhar de desafio mexia com meu corpo.
Peguei-a no colo. Ela chutava, esbravejando.
— Me larga, Adam!
Coloquei-a no chão com calma e liguei o chuveiro quente. Joguei sabonete líquido em minhas mãos e comecei a limpá-la. Ela estava tensa. Bateu na minha mão.
Eu rosnei, virei-a de costas e continuei passando as mãos por seu corpo. Lavei seus cabelos com meu shampoo e condicionador.
Eu vou reivindicar cada pedacinho dela… mas não esta noite.
Peguei a toalha e a sequei.
— Eu sei fazer isso sozinha, Adam. — rosnei baixinho. Ela é minha pra cuidar. Eu não achei que ela fosse virgem, depois de ter insinuado que teve outros machos mais de uma vez. Ela cresceu ao meu redor pra saber que me provocar não é boa idéia.
Seu olhar continuava tempestuoso. Ignorei e prossegui com meu trabalho, mesmo ouvindo seu resmungo.
Quando terminei, a tomei nos braços novamente, nua, e a deitei em minha cama. Cobri-a. Ela se virou para o canto, de costas para mim. Deitei-me ao seu lado e a puxei pela cintura, mantendo-a perto.
Sei que seu corpo está se curando. Dentro de alguns minutos estará bem. E o que eu mais quero é estar dentro dela de novo.
— Eu te rejeito… — começou a falar.
— Eu não aceito sua rejeição. — cortei, firme. — Nem se dê o trabalho.
— Isso não muda nada. Eu não aceito você como companheiro de alma.
As palavras dela doeram como um soco no estômago. Meu consolo foi enfiar o nariz em seu pescoço, procurando instintivamente seu cheiro.
— Por que ainda não sinto seu cheiro?
Ela não respondeu.
— Vou marcar você agora mesmo se não começar a falar.
— É permanente. Pedi a uma feiticeira que fizesse assim.
Ela mentia. Nenhuma loba em juízo perfeito faria isso.
Eu vou encontrar um jeito de quebrar esse escudo. Não me chamo Adam se não conseguir. Nem que eu a pressione todas as noites.
Uma hora esse escudo cairá. Eu não viverei anciando por uma segunda companheira, que pode ou não existir.
Eliz
Deitei-me novamente. Tentei levantar para vestir um pijama, mas Adam me segurou na cama. Sua pele quente encostava nas minhas costas. Sua mão deslizava devagar, fazendo pequenos círculos.
Um formigamento tomou conta de mim. E eu nem havia tirado o colar ainda.
Eu estava dez vezes mais grata a Anya, que me transportava quando necessário — era muito mais rápido que essa máquina. Mas o nascer do sol visto dali… era um espetáculo.
Chegamos a uma base militar no meio da floresta. Adam pousou com precisão, sendo recebido por um lobo com prancheta na mão.
Ele deu dois passos rápidos e parou de repente. Trombei em suas costas largas.
Quase certeza que foi de propósito.
Segurou minha mão. O lobo da prancheta ergueu as sobrancelhas, surpreso.
Tentei puxar, mas Adam apertou ainda mais, até doer.
Inferno.
Ao chegarmos à porta do quarto, uma curandeira e duas fêmeas tentavam acalmar a paciente. Quando a loba viu Adam, gritou aterrorizada.
— Já administrei ervas calmantes, mas quando ela acorda quer ir embora de qualquer jeito. Supremo, saia, por favor. Ela não aceita bem a presença de machos.
Adam me olhou, avaliando se eu poderia lidar com a situação.
Eu podia. Mas não sem retirar meu colar escudo e liberar minha energia de Luna.
Isso revelaria minha localização ao inimigo.
Sem meu escudo, o vínculo me laçaria completamente. E depois disso eu sentia que nada seria como antes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...