Adam
A volta parecia tranquila, quando o vento trouxe um cheiro conhecido: sangue. Muito sangue.
Levantei o nariz, tentando localizar a direção pela janela do carro.
— Em posição de ataque. — avisei pelo elo aos meus guerreiros.
Nosso carro começou a ser atingido por lobos renegados.
Corpos e garras arranhavam a lataria, produzindo um barulho estridente.
Eram muitos, em número considerável.
— Aaaaah! — meu gama gritou, com o braço rasgado por uma garra, a carne exposta.
— Acelere o máximo que puder! — ordenei.
Lobos enfiavam as patas pelas janelas, tentando nos alcançar.
Alguns forçavam a cabeça para dentro do carro.
Arranquei a de alguns, deixando os outros ainda mais furiosos.
Em dado momento, eles se cansaram e ficaram para trás.
Todos nós estávamos feridos, mas o caso mais grave era o do gama.
Dirigi direto até o hospital da matilha.
— Não é necessário, Supremo. Logo estarei curado.
— Anda, vai logo costurar isso. Acelera a cicatrização e não queremos sua fêmea preocupada à toa.
Ele detesta agulhas.
Mesmo assim entrou, e decidi esperar na recepção.
— Supremo?
Me virei e encarei Cássia.
Médica, curandeira excepcional... e meu conforto nos últimos cinco anos.
— Cássia. Como vai a correria?
Ela me olhou
Uma loba vinte anos mais velha que eu, mas quem a visse não diria que passou dos trinta.
Pele avermelhada, indígena, cabelos lisos e castanhos abaixo dos ombros, rosto marcante.
— Pensei que sairíamos essa semana. O que houve?
Direta. Cortante.
É isso que admiro nela.
— Seja sincero e diga que nossa companheira voltou. — Igor resmungou na minha mente.
Com Cássia ele tinha paciência.
Diferente de Ayleen e Kaia, ela nos costurou e cuidou tantas vezes que ganhou seu respeito.
— Precisamos conversar, Cássia.
Fomos até um restaurante do outro lado da rua.
Sentamos em um cubículo reservado.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.