Eliz
Bem, eu não podia ferir fisicamente a pulguenta da Kaia — o que deixaria ela espumando de raiva
— Isso é fácil: faz o mesmo que ela fez com a gente. — Nara sussurrou na minha mente.
— Tenho amor-próprio. Não vou dar meu corpo pro Adam só por causa da Kaia.
— Quando ele chegar, pegará seu corpo de qualquer maneira. — ela rebateu com desdém. — Não vejo seu tal amor-próprio ajudando em nada. Pode testar do meu jeito, só dessa vez...
Pensei por um instante. De fato: Adam toma o que quer.
Vasculhei as compras recentes. Coloquei a lingerie vermelha e preta que tinha amado — sensual, delicada — e um vestido verde-esmeralda, fechado até o pescoço, justo no corpo; a saia plissada terminava no meio da coxa. Soltei os cachos ruivos. Minhas sardas — pequenas — me tornavam única. Meus olhos verdes brilhavam de excitação. Não por causa do Adam; pela cara que a Kaia faria ao me ver, achando que ia aplacar seu cio com meu companheiro, louca.
A mensagem da Vera avisou que ela já tinha saído. Pedi ao motorista que me levasse: desculpa perfeita — o relatório com o DNA das crianças raptadas.
Peguei um dos carros e segui para o escritório. Antes de chegar, ouvi a voz afiada da Kaia, como lâmina.
— Você é uma ômega que nem sabe seu lugar, sua incompetente. Sabe que eu sou prima do Adam.
— As ordens que recebi são claras: ninguém entra sem que ele esteja presente, senhora. — a ômega tentou se defender.
Entrei sem que ninguém notasse de imediato. O ambiente fervilhava em expectativa. Todos apostavam mentalmente quem venceria a briga.
— Kaia, receio que Sinara — mãe do Adam, que trouxe essa cobra depois que a mãe dela faleceu — não esteja aqui pra te defender. E, pelo que entendi, o Adam também não. — falei, teatral, olhando ao redor.
As pessoas congelaram. Eu já sabia que ele realmente não estava.
— E você também não sabe o seu lugar, Eliz. Cansou de esfregar a cozinha lá de casa? — Kaia cuspiu as palavras com desprezo.
Sua frase soou como escárnio. Muitos ao redor pensaram que eu era uma ômega que fazia serviço doméstico. Se eu afirmasse que não fazia trabalho pesado por não ser ômega, arruinaria a autoestima da própria secretaria — e não era minha intenção derrubá-la. Ainda assim, queria expor a impostora.
— Melhor fazer o serviço pesado do que ser uma incompetente completa que atrapalha o trabalho dos outros. — respondi, seca.
Vi um sorriso se insinuar nos cantos da boca da secretaria. Ela abriu a boca para falar, e eu aproveitei.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.