Aquiles
Depois de alguns minutos, Aurin aterrissa em frente à entrada da casa.
— Oi, Aurin! Consegue levar nós dois até Garras de Gelo?
Aurin arregala os olhos, passando o olhar de Artemísia para mim. Em seguida, franze a testa, indignado.
— Isso é um plano, Aquiles, ou uma tentativa de suicídio coletivo?
Bufo.
— Macho fraco. Você precisa treinar mais — digo, já tirando minhas roupas. — Leva a Artemísia. Eu vou correndo como lobo.
Aurin estreita os olhos e me lança aquele olhar indignado que usava quando éramos crianças.
— Melhorou. Eu deixo ela lá e volto pelo caminho para te encontrar.
— Certo.
Já imagino a situação do Felipe ao ver a fêmea dele agarrada a outro de novo, como uma filhote de macaquinha.
Vejo Aurin subir com Artemísia e inicio minha transformação. Conhecendo bem os anciãos de Garras de Gelo — e a ira do Alfa Gustavo —, posso apostar que o circo já deve estar armado.
No meio do caminho, avisto as asas de Aurin no céu e uivo para que ele desça. Volto à forma humana.
Ele pousa suavemente, o olhar já me varrendo.
— Você não trouxe roupa de novo, Aquiles.
— Eu estava com pressa.
Ele estala a língua e abre os braços. Eu me agarro nele numa cena nada bonita.
— Se esse pau ficar duro, eu te jogo lá de cima — ele avisa, pegando impulso.
As árvores começam a ficar distantes e pequenas lá embaixo.
— Eu não gosto de machos. Só estou com pressa. E sua mãe não está por perto para abrir um portal — grunho, me defendendo.
— E de quem é esse cheiro em você?
— Não é da sua conta!
Como retaliação, ele recolhe as asas por um segundo. Caímos em queda livre, me fazendo apertar o corpo contra o dele.
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