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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 45

Eliz

Acordei e fiz minha higiene mental. Ainda pensava em como minha vida mudara, do Norte para o Sul, tão drasticamente em três dias. Abri o laptop e confirmei para a tarde meu primeiro encontro com as fêmeas que estão plantando e colhendo as ervas nas estufas que planejei. Meu pai não tinha levado a sério o quanto aquilo valia, mas eu enviei o link com a cotação das ervas — sua opinião sobre fêmeas não poderem liderar mudou num flash.

Quando encerrei a conversa, fiquei um pouco entediada; acho que foi por isso que comecei a perceber realmente onde estava. Adam me trouxera, no primeiro dia, ao quarto dele, deixou minhas roupas ao lado das suas e era simplesmente isso: como se eu fosse alguma mobília para ficar o dia todo ali.

Dei uma olhada na biblioteca procurando algum livro interessante. A biblioteca dele é imensamente diversa, mas parei num livro pequeno — eu me lembrava dele; o dei a ele no aniversário de vinte anos. Os pais de Adam fizeram uma reunião informal com amigos, piscina e uma banda ao vivo. Até então Adam era como um irmão mais velho para mim: me defendia e ajudava em tudo o que eu pedia. Mas, naquele dia, várias lobas davam em cima dele, e os amigos mandavam que elas tivessem cuidado porque “a noiva” estava por perto. Adam tentou me defender, mas uma das lobas perguntou se ele era pedófilo ou algo assim. Depois daquele dia as coisas ficaram estranhas e distantes.

Peguei o livro com raiva; a capa tinha marcas, como se tivesse sido muito manuseado. Ao abri-lo, uma foto minha caiu. Nela, uma Eliz rechonchuda, de uns quatro anos, sorria apoiada nos ombros de Adam. Algo me aqueceu, mas eu enterrei aquilo. Guardei a foto com força dentro do livro e decidi seguir mais cedo para a casa dos meus pais, na matilha do Sul.

Como sempre, minha mãe me cobriu de carinhos; desejamos aproveitar uma a outra por todo nosso tempo perdido.

— Então você e o Adam se acertaram? — ela perguntou. Eu não poderia contar que ele me forçava todas as noites; por enquanto, não tinha como ela me ajudar.

— É, mãezinha... — respondi.

— Mas seus olhos não brilham, filha — ela segurou minha mão —. Você pode se abrir comigo.

Dei um pequeno sorriso resignado.

Depois da reunião, todos ficamos disputando força — um círculo em que dois lobos lutam e o perdedor senta, dando vez ao próximo; uma brincadeira comum entre nós. Lutei com algumas lobas e seguia vencendo, lembrando os velhos tempos. Continuei no círculo; Kane apareceu com meu pai.

— Isso é covardia. Elas ainda não foram treinadas direito — disse ele, olhando-me com ar travesso. Seus cabelos indomáveis e a barba por fazer só o deixavam mais encantador.

— Então vem aqui que eu vou te derrubar também — respondi. Um brilho passou em seus olhos; ele não se fez de rogado.

— Então vamos ver até onde vai, Luna. — Ele já entrou em ação, tentando me dar uma rasteira, que pulei; acertei-o com um chute na barriga. Ele claramente esperava me derrubar de primeira. A luta continuou e já estávamos cansados, quando senti um cheiro familiar. Olhei na direção de onde vinha e vi um Adam muito, muito puto da vida. Eu tenho certeza que nenhum golpe que levei doeu tanto, quanto sua fúria silenciosa direcionada a mim.

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